quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

AS PRIORIDADES DE CRISTO

Mc 1:29-39

Introdução:

Temos tentado descortinar a pessoa de Jesus pelas suas ações e palavras. Meditamos na sua autoridade, tanto no ensino como sobre os demônios. A fim de conhecermos mais a pessoa de Jesus podemos considerar uma dia em sua vida [24h] e perceber como Ele usava seu tempo e seus esforços. Assim por meio de sua agenda podemos notar a grandeza de Jesus, podemos admirá-Lo e conhecê-Lo, e assim amá-Lo e adorá-Lo mais e mais bem como amoldar-nos ou nos conformamos com Seu caráter santo. As suas atividades determinam suas prioridades. Então consideremos quais sejam as prioridades de Jesus...

I. A COMPAIXÃO INDIVIDUAL [29-34]

1. Jesus preocupa-se com a pessoa

Após a tumultuada cena na sinagoga, Jesus vai a casa de Simão e André, com Tiago e João. Ali ele é informado que sua sogra está acamada. Ele a levanta e tomando pela mão. Sua cura é instantânea. Jesus demonstra assim que ele não está preocupado em ministrar apenas em lugares públicos, ele vai aos indivíduos até suas casas. Preocupa-se com pessoas em particular, não só com multidões. Ele não precisa de público para demonstrar seu poder. Ele não age exclusivamente sob holofotes, diante de platéias.

Este aspecto é profundamente cativante na pessoa do mestre. Nos dias atuais em que principalmente as pessoas estão despersonalizadas. São tratadas não em sua individualidade, mas como massa, aos montes, aos números. Jesus lida com pessoas, não somente em grande quantidade, mas na individualidade.

Lucas faz um observação pertinente, mesmo na cura das multidões, Jesus “os curava, impondo as mãos sobre cada um” [Lc 4:40]. Ele tinha um contato pessoal, um cuidado individual, ele não valorizava um número numa massa, mas a pessoa.

2. Jesus preocupa-se com diferentes tipos pessoas

Além de revelar sua compaixão direcionada [tratamento pessoal], vemos aqui o tipo de pessoa que Jesus trata, aborda. Trata-se aqui de uma mulher sendo sogra de Pedro [detalhe contra o dogma do celibato católico]. Jesus não focaliza-se apenas nos seus discípulos, mas dar atenção a diversos tipos de pessoas em seu ministério: homens e mulheres, crianças, jovens, velhos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, religiosos e pagãos, justos e injustos, doentes e são. Jesus não fez opção pelos pobres, fez opção pelos pecadores.

3. Jesus se desgasta em prol das pessoas

Sua compaixão suga sua vida, seu tempo e suas forças. O texto afirma que ao anoitecer Jesus fez “hora extra”. No sábado pregara na sinagoga, ao meio dia foi à casa de Pedro e ao pôr-do-sol estava ministrando as vidas das pessoas [curando e expelindo demônios]. Assim ele se desgasta, ele se entrega, ele doa-se.

Duas considerações:

a. A natureza grave da doença. Tratava-se de uma doença grave, de fato mortal [malária provocava febre e calafrio] lembremos que não se dispunham ali dos recursos que hoje se dispõe [Jo 4:52].

b. A natureza real da cura. Aquela mulher foi verdadeiramente curada. Não houve engodo, truque, magia, nem manipulação.

Este tema é bastante pertinente, visto que assistimos frequentemente pela TV líderes religiosos que julgam fazer curas ao vivo. Demonstrando assim que são pessoas ungidas e seus ministérios são de Deus, logo as pessoas precisam continuar contribuindo para que ele mantenha seu programa no ar. É preciso entender como e porque Jesus curava, qual era a razão maior dele usar este aspecto em seu ministério, e assim seremos capazes de avaliar as curas modernas.

II. A DEVOÇÃO PESSOAL [35-36]

A vida piedosa de Jesus, ou seja, seu relacionamento com Deus por meio da oração era prioritário em sua vida. Alguns aspectos revelam o quanto a vida de oração de Jesus era fundamental:

1. Veja sua condição física

O cansaço físico não impedia Jesus de orar. O dia anterior de Jesus foi intenso. Creio que Jesus estava exausto. Ele era humano, não um “super-homem”. Assim como qualquer outro sente as limitações impostas pela sua humanidade. Mas mesmo assim ele orou.

É profundamente irônico que algumas pessoas não oram porque dizem que estão cansadas. É irônico porque creio que a oração é tremendo meio para a restauração do homem. Diante de face de Deus o homem se refaz e se restaura em todos os sentidos.

Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. 30 Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, 31 mas os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.[Is 40:29-31]

2. Veja o horário

Outro detalhe é a que hora Jesus foi orar. Eu creio que seja entre 4-5h da manhã. Este detalhe é importante porque é a primeira coisa que Jesus faz no dia, antes de qualquer outra atividade.

Infelizmente, percebo que se não priorizarmos logo está com Deus cedo, dificilmente acharemos oportunidade durante o dia. Não que você não possa buscá-lo outro horário. Não há tempo sagrado para buscar a Deus, apenas estrategicamente cedo pode trazer maiores benefícios.

3. Veja o lugar

Outro aspecto é onde Jesus ora. Veja que nem o tempo e nem o lugar é sagrado. Mas devemos reconhecer que não é possível ter um devocional de qualidade em qualquer lugar. É preciso buscar um lugar adequado, sem distrações, sem barulhos. Jesus falara disto no sermão do monte

Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.[Mt 6:6]

4. Veja que ele estava só

Temos dois tipos de oração que devemos praticar em nossas vidas: A comunitária e a particular. Ambas são fundamentais. Na comunitária oramos uns pelos outros e oramos uns com os outros. Revelamos assim que somos uma família e que precisamos estar juntos. É por isso que temos a quarta de oração, a oração dos homens e mulheres e as vigílias.

Mas a oração particular é decisiva e fundamental. É a sobrevivência da alma. Ali estamos sós. Eu diria que é a mais difícil. Não podemos nos esconder, temos que lutar sozinho. Jesus não se separou porque não queria orar com seus discípulos, mas porque sabia que sua comunhão com o Pai é prioritária. Seu ministério depende desta comunhão.

E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.[Mt 14:23]

Ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia.[Gn 32:24]

5. Veja a pressão externa

O ativismo é uma tentação. Eu sei bem disto. Achamos que agir tem sempre a prioridade. As atividades são exigentes e a oração pode esperar. Pedro e os discípulos foram atrás de Jesus como quem ditando a agenda. Havia uma pressão, as pessoas já estavam ali para serem curadas, havia uma multidão – Todos te buscam [v.37]

“Se deixo de passar duas horas em oração cada manhã, o inimigo obtém a vitória durante o dia; tenho muitos assuntos que não posso despachar sem ocupar três horas diárias de oração” [Lutero]

Aplicação:

Como está sua vida de oração? [Fonte: www.bomcaminho.com]
D.M.Lloyd-Jones

“Qual é o lugar da oração em sua vida? Que proeminência a tem em nossas vidas? É uma pergunta que eu dirijo a todos. É necessário que ela atinja tanto o homem que é bem versado nas Escrituras e que tem um bom conhecimento de doutrina e teologia, quanto a qualquer outro. Que lugar a oração ocupa em nossas vidas e quão essencial ela é para nós? Será que temos percebido que sem ela desfalecemos?

Nossa condição definitiva como cristãos é testada pelo caráter da nossa vida de oração. Isso é mais importante que o conhecimento e o entendimento. Não pensem que eu estou diminuindo a importância do conhecimento. Tenho passado a maior parte da minha vida tentando mostrar a importância de se ter um bom conhecimento e entendimento da verdade. Isso é de importância vital. Só há uma coisa que é mais importante: a oração. O teste definitivo da minha compreensão do ensino bíblico é a quantidade de tempo que eu gasto em oração. Como a teologia é, no final das contas, conhecimento de Deus, quanto mais teologia eu conheço, mais ela deveria me guiar na busca desse conhecimento. Não se trata de conhecer sobre Ele, mas de conhecê-lO. O objetivo inteiro da salvação é me trazer a um conhecimento de Deus. Eu posso aqui falar de uma maneira acadêmica sobre regeneração, mas o que é, afinal, a vida eterna? É que eles possam conhecer a Ti, o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste. Se todo o meu conhecimento não me conduz à oração, certamente há algo de errado em algum lugar. Espera-se que ele faça exatamente isso. O valor do conhecimento é que ele me dá uma tal compreensão do valor da oração, que eu passo a dedicar tempo a ela e a me deleitar com ela. “Se meu conhecimento não produzir esses resultados em minha vida, há algo de errado e espúrio nele, ou então devo estar lidando com este conhecimento de uma maneira completamente equivocada.”


III. A PREGAÇÃO MINISTERIAL [38-39]

A cura da sogra de Pedro provocou a uma explosão de pessoas atrás de Jesus para ser curadas. Então o que Jesus deve fazer? Pautar seu ministério em curar as pessoas? Foi para isto que ele veio? É Jesus um curandeiro? O ministério de Jesus vai ser centralizado em curas? Vemos na postura de Jesus duas verdades sobre seu a natureza do seu ministério:

1. A pregação era o centro de todas as suas atividades

Quando os discípulos viram que o ibope de Jesus estava aumentando devido às curas e exorcismos [não é interessante que as igrejas que falam só disto atraiam multidões]. Jesus estava se tornado um sucesso. Seu ministério estava de vento em popa na ótica dos discípulos. [Afinal o sucesso não é medido pelos números?]. Eles correram atrás de Jesus a fim de determinar sua agenda.

Mas Jesus não cede a pressão, não se sujeita ao apelo popular. Ele não sai cedo de manhã para curar as pessoas, mas para orar e depois não se sujeita a esta orientação. Ele estava em comunhão com Deus, ele sabe o que Deus espera de sua vida. Sua vida não é determinada pela vontade das pessoas, mas no altar, na presença do Senhor.

Então o que ele faz? “Vamos...a fim de que eu pregue” [v.39]. Jesus percebe que as motivações das pessoas em Cafarnaum estão erradas, ele não é curandeiro que veio simplesmente curar enfermidades e nem um exorcista que veio expulsar demônios, ele é um pregador. E sem a pregação não há salvação! Sem a pregação não há arrependimento! [1:15].

Jesus afirma assim a natureza de sua missão: Ele veio proclamar o reino de Deus, chamar as pessoas a se arrependerem e crerem para que sejam perdoadas.

2. A pregação é mais importante que seus milagres

O ministério de cura e libertação não é o centro de sua vida. Não adianta curar uma pessoa ou tirar seu demônio e ela perde-se no inferno. Cura não é salvação, libertação de demônios não é salvação. Jesus afirmou que é bem melhor entrar cego ou manco do que saudável no inferno.

A pregação está acima de todas as atividades de Jesus, sem ela não há reino, sem ela não há arrependimento, sem ela não há salvação!

Aliás não há maior milagre que pode acontecer quando uma pessoa é transformada em seu coração,em sua vida. Confesso de púlpito que não sei se Deus já operou algum milagre de cura através de mim, mas sei que pela graça de Deus ele já operou em mim e por meio de mim o maior milagre que o mundo pode ver: A salvação de uma alma!

Não maior privilégio que tenho tido em minha vida de pregar a Palavra do Senhor, em sei que não sou digno, quando vem a esse púlpito fico alegre, minha alma se derrama com a honra que o Senhor me dar em falar dEle. Spurgeon afirmou aos seus alunos: “Se os reis vos convidarem para sedes ministros de Estado, não vos rebaixes, deixando o honrado posto de embaixadores de Deus”

Conclusão:

Quais são suas prioridades? Qual é sua agenda? Em que você tem gastado seu tempo e seus recursos? O que tem consumido a sua vida? Eu quero sugerir entre outras coisas estas três que foram vista na vida de Jesus:

1. Use sua vida na compaixão pelos outros! Doe-se e se desgastem amando e servindo que está sofrendo e quem está oprimido.
2. Use sua vida em oração. Gaste tempo diante de Deus. Dedique-se mais a oração!
3. Use a sua vida na pregação. Fale do evangelho. Fale da mensagem de Cristo. Fale do Salvador!

Pr. Luiz Correia
[Deus meus et omnia]

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A AUTORIDADE DE CRISTO

Mc 1:21-28

Introdução:

Temos caminhado no livro de Marcos vendo como personagem central a pessoa de Cristo. Vimo-lo sendo revelado em sua grandeza na identificação com o homem, na unção do Espírito, na aprovação do Pai e na tentação do diabo. Vimos que ele inicia seu ministério e para isto recruta discípulos a seguirem, chamando-os para serem pescadores de homens. Agora Marcos vai descrever um dia [24 horas] na vida de Jesus e seu alvo é continuar descortinando Jesus a nós. Hoje contemplaremos um aspecto de sua natureza que revela toda sua grandeza e poder, meditemos em sua AUTORIDADE.

Entende-se autoridade como o [Aurélio]: “Direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões, de agir, etc.; aquele que tem tal direito ou poder, aquele que tem por encargo fazer respeitar as leis.” No hebraico significa aquele que tem poder, força, já no grego significa poder absoluto. Temos em nossas vidas a necessidade de autoridades: os pais, professores, governante e os pastores, todos eles tem sua autoridade delegada, apenas Cristo é a autoridade suprema e absoluta. Pensemos sobre duas áreas da autoridade de Cristo...

I. A AUTORIDADE SOBRE O ENSINO

O ministério do ensino era prioritário na vida de Jesus. Ocupa o centro em suas atividades. Embora Marcos se detenha em descrever as ações de Jesus tendo em vista o seu público [os romanos] e o seu alvo [revelar Jesus ativo], não podemos negar que o ministério da Palavra, de ensino/pregação é a principal atividade do Mestre [Mc 1:14-15]. Muitas pessoas ficaram conhecidas como mestres na área de ensino e do pensamento. Jesus sobrepuja a tudo e a todos, como o mestre por excelência. Ninguém pregou o ensinou como Jesus.

Porque Jesus tinha autoridade no ensino? O que faz de uma pessoa ter autoridade para ensinar? Quais são alguns sinais fundamentais que dão a alguém a autoridade para ensinar/pregar?

1. Pela maneira que lida com a verdade.

a. Jesus Conhecia a verdade

Jesus conhecia muito bem a Palavra. E não era por ser Deus. Ele crescera no conhecimento desde menino [Lc 2:52]. Ao longo do seu ministério citou cerca de 20 livros do AT. Dois episódios revelam o grande conhecimento da Palavra por parte de Jesus: (1) Sua tentação onde ele usa com maestria a Palavra e (2) após a ressurreição onde faz uma exposição do VT para os discípulos em Emaús.

b. Jesus era Fiel a verdade

Jesus, diferentemente dos escribas, ensinava fielmente a Palavra. Estes torciam, manipulavam, escamoteavam a verdade, ensinando doutrinas de homens em lugar de exporem fielmente a verdade. Os escribas [doutores] tornaram a lei um fardo legalista. Jesus, porém, pregava com fidelidade aquilo que Deus revelara.

c. Viva a verdade [encarnava]

Os escribas, pregadores da lei, viviam a citar determinada autoridade ou especialista para dar credibilidade ao seu ensino. Jesus não precisou recorrer a autoridade fora de si mesmo. Ele conhecia a Palavra, sua correta explicação, mas acima de tudo ele vivia. Ele era a Palavra em pele humana.

Para horror de todos, Jesus quebrou esta corrente de tradição. Ele não invocava os pais, mas o Pai. Falava não como rabino, mas como Filho. Pro­nunciou um novo início da revelação. Isto era algo monstruoso: ele não trazia a revelação...ele era a revelação em pessoa. Ele não só conside­rava a tradição dos rabinos ultrapassada, mas até um corpo estranho. O juda­ísmo tinha deformado Moisés. Perguntaram atônitos de onde vi­nha sua autoridade (aqui v 27, lá v 11.27ss). [Adolf Pohl]

Jesus não precisava recorrer a nenhuma outra fonte de autoridade, ele era a própria fonte. Sua sabedoria vinha de dentro, não de tradições. Ele colocava-se como a autoridade, com convicção e poder [Eu, porém, vos digo...[Mt 5]]. Jesus acima de tudo vivia o que ensinava. As pessoas viam corporificada a Palavra. Ele pregava com a vida! Seu maior sermão foi seu sacrifício de amor por nós! A maior coisa que os discípulos aprenderam de Jesus não foi só suas palavras, mas sua influência.

Este é o elemento mais importante na qualificação de um professor/pastor/pregador é aquilo que ele é. Um exemplo vale mais que mil palavras. “Aquilo que você é troveja tão alto que não posso ouvir o que você diz”. Jesus foi a encarnação da verdade [Jo 14:6]. Ele é 100% aquilo que ensinou.

2. Pelo Método de Ensino

Não creio que Jesus criou uma metodologia conscientemente, nem desenvolveu uma teoria pedagógica e educacional, mas ele mostrou conhecer profundamente o processo de ensino-aprendizagem. Os sermões e ensinos de Jesus eram dinâmicos. Ele conhecia como ninguém a maneira de penetrar com profundidade o coração humano com a Palavra. Ele usava as oportunidades e todos os recursos para que em cada situação seu ensino fosse eficaz e impactante. O ensino de Jesus era carregado de ilustrações, portanto o ensino dinâmico, não árido e seco.

3. Pelo Assunto que aborda

Jesus não fala de assuntos banais e efêmeros. Ele não foi um mestre de banalidades. Ele falou de assuntos centrais sobre a vida, a morte, a eternidade. Jesus falava de assuntos de suma importância para a vida humana.

Aplicações:

1. Todos nós, direta ou indiretamente, temos a missão de ensinar e estamos envolvidos na tarefa de ensino. Os pais, os responsáveis e os irmãos de maneira geral. Devemos ter autoridade em assim fazer. Esta é, aliás, a principal, não única tarefa do pastor. O pastor deve ser cobrado pelo ensino:

Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. [II Tm 5:17]

Todos que lidam diretamente com ensino da Palavra devem levar a sério esta missão. Independentemente de quem esteja ali, seja criança, velhos, jovens, independente da ocasião. Não se pode ser irresponsável com o ensino.

2. Devemos ser bastante criteriosos quando nos sujeitamos a papel de aprendiz e ouvintes. Não podemos ser irresponsáveis dando ouvido a qualquer pessoa que ensina. Mesmo que esta tenha título ou fama. Atualmente vemos uma multidão de mestres na mídia. E eu vejo com bastante receio o que está sendo ensinado e muito mais o que algumas pessoas estão aprendendo.

O resultado disto é confusão e apego a idéias e doutrinas humanas, sem fundamento. Deus deu-me a graça de Deus de ser pastor deste rebanho, missão que assumo com temor e tremor crendo que toda autoridade vem dele. Então aprenda a ouvir seu pastor e seja humilde.

Fico feliz em ver que alguns irmãos me procuram para tirar uma dúvida, percebo em seus corações que são sinceros e que me busca atrás de saber qual a vontade de Deus. Sei do peso e da responsabilidade e creio que aqui ninguém é tolo para perceber se tenho ou não pregado a Palavra com fidelidade e zelo.

Portanto cuidado ao colocar sua vida e sua mente irresponsavelmente nas mãos de outros. É terrível quando um falso ensino adentra-se na mente de uma pessoa para tirar. É preciso ser humilde e temente a Deus para dizer: Estou errado em pensar assim! Portanto cuidado!

II. A AUTORIDADE SOBRE OS DEMÔNIOS

Pensemos sobre algumas verdades que derivam deste episódio:

1. Os demônios se apossam das pessoas.

Devemos ter cuidado com extremos na abordagem deste tema, um extremo que nega toda realidade da possessão e o outro que afirma que toda insanidade mental é sinal de possessão. Tratar uma pessoa doente como possessa é um terrível engano e uma perversa atitude. Alguém já disse que é melhor chama diabo de gente do que gente de diabo.

Existiu e ainda existe possessão [endemonhiamento]. Isto é um fato, não é ficção. Não foi um fenômeno passado, foi passado e é presente. Isto é uma realidade afirmada pelas Escrituras e confirmada pela experiência pastoral. Aqui o demônio dentro dele, usa de seu corpo e de sua voz.

2. Os demônios destroem as vidas das pessoas.

Os demônios se alojam na vida das pessoas e escravizam de uma forma profunda. Como um imitador barato o diabo quer habitar no homem, como Deus quer habitar. Só que Deus usa os meios legítimos, persuadindo os corações e levando-os a crerem pela fé e em amor. O diabo usa o engano como meio de se infiltrar na vida dos homens.

Uma pessoa sob o controle do diabo é uma dramática realidade. Os demônios levam estas pessoas a uma vida de miséria e destruição. A palavra “espírito imundo” revela muito bem a natureza das atividades demoníacas. Eles usam as pessoas para toda sorte de perversidade moral, corrompendo a obra prima de Deus tentando o atacar indiretamente assim.

Eles trabalham visando induzirem o homem a pecar contra Deus. São anjos caídos que unidos a Satanás rebelaram-se contra Deus e tornaram-se pervertidos e maus. Eles provocam sofrimentos e misérias sob aqueles a quem eles dominam.

Mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.[II Tm 2:26]

3. Os demônios temem e se sujeitam a Cristo

Jesus é a luz do mundo e quando Ele chegou as trevas não puderam se ocultar. Os demônios não se podem ocultar na presença de Deus. A presença manifesta de Deus é insuportável para os demônios. Quando Jesus se manifestou ali na sinagoga os demônios não resistiram a sua presença. Foi tirado seu disfarce até então oculto.

4. Os demônios sabem quem é Jesus

Ele disse: “Bem sei quem és”. Jesus é conhecido no céu, na terra e no inferno. É irônico a narrativa de Marcos, pois afirma que as pessoas se questionavam acerca de quem era Jesus, mas os demônios não. Os demônios entendiam que Ele estava quebrando seu poder sobre os homens.

“Por que Jesus é identificado com tanta clareza com seu nome, sua missão e sua natureza? É evidente que a defesa quer recuperar seu poder: Você foi reconhecido! Em uma tentativa desesperada de derrotar Jesus, o mistério da sua pessoa é revelado aos gritos.” [Adolf Pohl]

5. Os demônios sabem que Jesus é juiz deles

Os demônios sabem que Jesus um dia vai lançá-los no lago do fogo [Mt 25:41] e temem que Jesus antecipe isto [Mt 5:7]. “Vieste para perder-nos” não indica mudança geográfica, mas posicional “vieste dos céus para terra”. Os demônios entendiam que um dos propósitos da vinda de Jesus é por fim ao domínio do diabo. Derrotá-los!

Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.[I Jo 3:8]

Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, [Hb 2:14]

6. Jesus não aceita diálogo com demônios

Jesus repreende e ordena. Ele decreta uma ordem concisa e clara: cala-te e sai deste jovem. A palavra cala-te significa “seja amordaçado”. É verdade que ele gritou, mas não pronunciou mais nenhuma palavra. O demônio obedeceu e se sujeitou, de má vontade é claro, mas se sujeitou [v.26].

"Preste atenção na brevidade assombrosa: Jesus não pergunta o nome, não faz uma oração-relâmpago, não fica fora de si em êxtase, não murmura fór­mulas, não recorre a objetos como os exorcistas judeus, não usa raízes medi­cinais nem vapores anestésicos - nada além desta ordem nua. [Adolf Pohl]"

Há pessoas que fazem entrevistas com demônios, outros dão ouvidos a revelação de demônios, mesmo sabendo que é o pai da mentira. A palavra “repreendeu” significa reprovar ou envergonhar. Jesus julgou e o expeliu. Nada mais e nada menos. Os demônios estão debaixo da autoridade de Jesus.

7. Jesus não aceita testemunho de demônios

Embora o diabo soubesse e testemunhasse de Jesus ele não aceita. Ele não quer reconhecimento de demônios. A relação que Jesus tem com estes é de julgador. Paulo de igual forma não aceitou. Devemos ser cautelosos de onde vem elogios!

Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. 17 Seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação. 18 Isto se repetia por muitos dias. Então, Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: retira-te dela. E ele, na mesma hora, saiu. [At 16:16-24]

Conclusão:

A autoridade de Jesus nos diz algo profundo e fundamental: Se Ele é autoridade no ensino e se Ele é autoridade sobre os demônios, Ele é autoridade em minha vida? Ele governa meu viver?

Pr. Luiz Correia
[Deus meus et omnia]

sábado, 24 de janeiro de 2009

PESCADORES DE HOMENS

Mc 1:14-20

Introdução:

Cristo então começa a realizar a obra de Deus, ou seja, pregar o evangelho. O conteúdo do evangelho de Jesus é que o reino veio, nEle, em sua pessoa e obra. Ele é o evangelho. Ele chegou e assim o reino chegou. O reino foi soberanamente antecipado em alguns aspectos em Cristo. No entanto esta chegada do Reino exige resposta do homem, este deve arrepender-se e crer no evangelho, ou seja, em Cristo. Para a tarefa ministerial que Jesus deve realizar ele chama pessoas. E é sobre este chamado que quero refletir com vocês...

I. A NATUREZA DO CHAMADO

1. Cristo chama cooperadores

O reino está sendo estabelecido, então Jesus faz um recrutamento. É preciso que situemos este chamado.

a. Jesus chamou primeiramente para a salvação [Jo 1:35-51]. Isto ocorreu quando Cristo chamou André e Pedro, discípulos de João. Eles voltaram para a Galiléia e continuaram a sua vida normal, como pescadores.
b. Jesus chamou para o discipulado, este chamado foi realizado no mar da Galiléia, aqui chamando 4 pescadores para segui-lo.
c. Jesus chamou para o apostolado [Mc 3:14-21], separando 12 dentre os discípulos.

Logo, o chamado que estamos refletindo e considerando trata-se do segundo chamado. Que é para eles andarem com Jesus, receberem preparação para seus ministérios. Vemos assim que Deus, embora pudesse realizar a obra sozinho, não quis assim proceder. Optou por realizar a construção do reino através de nós. Vemos que grande honra Deus nos concede diante desta verdade. Ele deseja que participemos juntos na construção.

Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós. [I Co 3:9]

2. Cristo chama soberanamente

O chamado de Cristo se dá verticalmente. Não sou eu que me chamo, mas sou chamado. Eu não sou um voluntário, mas um convocado. É claro que Deus opera em meu coração para que todas as resistências sejam quebradas.

Persuadiste-me, ó SENHOR, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu e prevaleceste; [Jr 20:7]

Jesus os viu e seu olhar persuadiu. Seu chamado é imperativo, direto e absolutamente soberano. Ele chama quem quer!

II. O PERFIL DO CHAMADO

1. Cristo chama pessoas humildes

Jesus não foi buscar nem intelectuais ou filósofos e nem a elite religiosa, não chamou ricos e famosos. Recrutou pessoas desconhecidas e simples, pescadores.

Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; 28 e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; 29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. [I Co 1:27-29]

Assim é Deus, ele desafia a lógica humana. Se certamente fossemos começar um empreendimento jamais chamaríamos este tipo de pessoa. Cristo chamou pessoas iletradas, simples e incapacitadas.

“Deus não chama os capacitados, capacita os chamados”

“Dê-me cem homens que não temam senão o pecado e que nada deseje senão a Deus e com eles abalarei o mundo” [John Wesley]

Uma grande lição é que uma vez que Deus não chamou seus primeiros seguidores baseados na riqueza, fama ou poder, então o reino de Deus não depende destas coisas. A obra de Cristo não sobrevive a base disto.

2. Cristo chama pessoas ocupadas

Deus chama pessoas para uma missão, e estas pessoas não são desocupadas e ociosas. O trabalho de Deus exige energia e disposição.

a. Chamou Moisés quando pastoreava [Ex 3:1-14]
b. Chamou Gideão quando malhava o trigo [Jz 6:11]
c. Chamou Amós quando cuidava do gado [Am 7:14,15]
d. Chamou Eliseu quando lavrava com uma junta de bois [I Re 19:19]

Jesus chamou esses discípulos quando estavam pescando ou consertando as redes.

III. AS IMPLICAÇÕES DO CHAMADO

1. O chamado implica em resposta imediata

Embora não saibamos o que eles falaram, mas suas reações nos dizem muito. Eles não hesitaram, não objetaram, não discutiram, não pediram tempo para pensar, não duvidaram, não questionaram, não impuseram condições. Eles simplesmente obedeceram e fizeram imediatamente. O chamado de Cristo para o discipulado é radical e urgente. Devemos deixar tudo e seguir.

2. O chamado implica em renúncia total

É dito que eles deixaram seus família e trabalho. Primeiro o aspecto relacional outro o aspecto financeiro. Fazer parte do projeto de Deus exige renúncia. Eles abriram mão do trabalho, da profissão, da empresa e dos sonhos financeiros. Eles abriram mão de suas vidas. Abriram mão de tudo para investir tempo no reino de Deus. Eles renunciaram tudo por Jesus.

Essa atitude foi irresponsável? Talvez eles ainda ajudassem inicialmente seus pais, quando residiam em Carfanaum. O texto afirma que Tiago e João deixaram seu pai com “empregados”, havia uma provisão. Mas quando Ele chama, não há meio termo, deve haver renúncia.

Não há discipulado sem renuncia. É preciso abrir mão de sonhos e projetos pelos projetos e sonhos de Deus. Sem este aspecto não há discipulado.

3. O chamado implica em preparação ministerial

A promessa é “vos farei pescadores de homens” [v.17], implica em preparação. Jesus chama para a obra, mas antes prepara. É Jesus quem faz pescadores de homens. Ele é quem ensina, equipa, prepara e os capacita para o trabalho. Eles vão ser treinados por 3 anos até que Cristo vá para a glória e eles sejam revestidos do poder do alto.

Eles freqüentaram a melhor escola do mundo com o melhor professor, abordando o mais importante assunto. Jesus preparou seus discípulos ao conviver com eles, comendo com eles, encorajando-os em suas fraquezas. Jesus os ensinou pelo exemplo. O modelo é a forma mais eficaz de ensino.

IV. O PROPÓSITO DO CHAMADO

1. Para segui-lo

Afirma-se que eles o “seguiram”. Esse termo descreve uma relação pessoal entre mestre-discípulo. Jesus não os chamou prioritariamente para realizar um trabalho, mas para um relacionamento.

Andar com Cristo, seguir a Cristo e estar com Cristo vem primeiro do que fazer a obra de Cristo. Aliás, para que a obra de Cristo seja feita com poder e para glória de dEle o fundamento está nesta relação, nesta comunhão.

O servir a Cristo é uma conseqüência de andar com Cristo. Jesus está mais interessado em quem nós somos do que com o que fazemos. Relacionamento precede desempenho. Vida precede trabalho. Caráter precede talento.

2. Para ganhar almas

Cristo os chamou para uma tarefa gloriosa, pescar homens. É sublime este chamado. Isto não é um hobby ou uma profissão, é o mais importante ministério do mundo.
Um médico pode salvar a vida da morte o que é nobre. Um pescador de almas salva da morte eterna. O liberta das trevas, do pecado, do mundo e de Satanás por meio da Palavra.

Para ilustrar a atividade de ganhar almas, Jesus usa a figura de um pescador. Qual é a relação entre pescar peixes e ganhar almas?

Para se realizar uma boa pescaria precisamos entender um pouco de peixes, saber onde eles estão que horas gostam de comer, a melhor maré, que tipo de isca. Há por exemplo o peixe que fica nas pedras e há o que fica na areia. Deve haver uma estratégia correta para pescaria. Orientações:

a. Use a mensagem certa

Devemos ter cuidado para não alterar a mensagem. O conteúdo sempre é o mesmo, a mensagem do evangelho é eterna e inalterável. Devemos abordar sempre a implicações do verdadeiro evangelho. Precisamos falar de pecado, arrependimento, fé, e principalmente a cruz de Cristo, sem isto não haverá evangelismo.

b. Use o método certo.

Nem todos os peixes são pescados da mesma forma [Tainha não se pega com anzol, mas com rede, já um Parum pode se pegar com ambos, você não pega um Merlin com anzol, mas com arpão].

A forma de apresentar o evangelho pode e deve ser diferente. Devemos usar métodos corretos. Devemos saber que tipo de pessoa é ela. Devemos envolver-se com sua vida.

Jesus abordou Nicodemos diferente que abordou a Samaritana, que por sua vez foi diferente para falar com Zaqueu. Procure entender e discernir a chave para fazer com que o evangelho chegue a pessoa.

Paulo era estratégico. Sua motivação era ganhar almas, e para isto ele usava métodos diferentes respeitando a cultura e a individualidade.

Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. 20 Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. 21 Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. 22 Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. 23 Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele. [I Co 9:19:23]

c. Use o momento certo

Os peixes não estão com fome o tempo todo. Pescar onde os peixes não beliscam é perda de tempo. Obviamente pescar requer paciência, mas não devemos ser tolos. Nem todo o dia é dia de pescaria [Pedro passou a noite e nada pescou].

Saiba que o Espírito prepara o coração, eu tenha percepção e discernimento espiritual.

Precisamos de receptividade. Há quatro tipos de reações, veremos na parábola do semeador [insensíveis, superficiais, divididos e sedentos]. São estes sedentos que queremos! Jesus orientou a não perder tempo a pessoas não receptivas. Devemos concentrar nossos esforços onde as portas estão abertas e onde os campos não estão brancos para a ceifa.

Ao entrardes na casa, saudai-a; 13 se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. 14 Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. [Mt 10:12-14]

Conclusão:

Ainda hoje Cristo chama-nos a mais bendita e gloriosa tarefa: ganhar almas. Ele deseja e espera ver pescadores de homens. Tenho certeza, que todos nós embora não vocacionados com tempo integral para o ministério, somos todos chamados a servir, levando a preciosa mensagem da salvando, ganhando almas para Cristo, cooperando com Ele e construindo seu Reino.

Pescador [Logos]

Quando o Senhor Jesus. Chamou meu coração
Não fez um convite descuidado ou impensado
Não quis apenas ser Gentil ou Educado
Mas deixou claro que havia algo importante a ser feito (2x)

Mas para que esse algo eu conhecesse era preciso andar
Junto com ele e Necessário pensar os seus pensamentos
e Amar pessoas com o seu amor e conhecer também de perto a Dor
e os vales mais profundos provar aos poucos uma solidão
e o desamparo desse mundo e aprendendo assim
a depender a cada dia mais de suas mãos

Quando ele me chamou
Não fez promessas
Humanamente convincentes
Nada que me enchesse os olhos
Apenas disse que me faria um pescador
Mas pescador de peixes eu sou
e na verdade há muitos outros como eu
nós pescamos coisas distintas e mesmo que você não sinta
tua vida algo vai buscar

Quem sabe um dia você vai sentir também
Quem sabe um dia você vai pensar também
Quem sabe um dia você vai ouvir a mesma voz
Ou quem sabe um dia o fará mudar de atitude, vida, rumo e de propósito

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A GRANDEZA DE JESUS VISTA EM SEUS RELACIONAMENTOS

Mc 1:9-13

Introdução:

A grande verdade de Marcos é mostrar que o Filho de Deus entrou no mundo como servo e veio para dar sua vida pelos pecadores. É revelada sua grandeza, em demonstrar seu poder e em sofrer. Tendo isto em mente, quero apresentar a pessoa de Jesus a partir de seus relacionamentos que demonstram sua grandeza e singularidade ao mesmo tempo em que moldam seus passos para sua missão, a cruz.

A GRANDEZA DE JESUS É VISTA NOS TIPOS DE RELACIONAMENTO QUE ELE DESFRUTA

I. JESUS É IDENTIFICADO COM O HOMEM

Jesus é bem identificado com a humanidade. Primeiramente ele é homem em sua natureza. Nasceu como homem, foi concebido e gerado como homem. Ele não é um ser alienígena, distante a realidade humana como Dalai Lama ou um monge.

1. Em sua origem

Sua origem é o primeiro choque. Jesus nasce pobre, num lar pobre, de mãe pobre, de uma cidade pobre. Ele não veio nem da região central do judaísmo, a Judéia, menos ainda da cidade santa com seu templo. Ele veio de um povoado afastado, Nazaré, uma pequena aldeia, cidade rejeitada pelos judeus, que só podia ser encontrado com aju­da: da Galiléia (cf v 14). Tudo isto visa sua identificação com o homem, com a sua condição miserável.

"Examina e verás que da Galiléia não se levanta profeta!" (Jo 7.52).
Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José. Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? [Jo 1:45-46]

2. Em seu batismo

O batismo de Jesus foi um momento de decisão. Durante 30 anos, Jesus viveu como um carpinteiro na cidade de Nazaré. Ele tinha consciência de sua missão desde a infância. Jesus não era uma pessoa qualquer que estava com os peregrinos, sem suspeitar de nada e foi surpreendido por uma escolha divina, sendo chamado ali para ser o Messias e o Filho de Deus.

Nossa história, portanto, não quer contar como Jesus se tornou o Cristo, o Messias, mas que ele, vindo de Nazaré, o era. Ele não assumiu sua tarefa somente depois do batismo, mas revelou-a no batismo. Era o tempo de agir e iniciar o seu ministério. O batismo marca essa decisão!

Por que se batizou se ele não tinha pecado pessoal [Jo 4:46, II Co 5:21, Hb 4:15, I Jo 3:5]?

Ele foi batizado por causa da natureza de seu ministério [sua missão], porque ele estava assim se identificando conosco. Jesus veio ao mundo como nosso representante e fiador. Ele se fez carne e habitou entre nós. Ele se fez pecado e maldição por nós. Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou sobre o seu corpo, no madeiro, os nossos pecados. Ele não foi batizado por pecados pessoais, mas pelos nossos pecados imputados a ele. Ele foi batizado a fim de expressar sua identificação com o povo.

Seu batismo é "Seu primeiro passo por nós". É aqui que ele começa. Desde este batismo até seu último batismo, de que ele fala em Mc 10.38, andará por ele. Neste caminho ele se tornou aquele que batiza com o Espírito [que salva], depois da sua ressurreição, em Pentecostes.

II. JESUS É UNGIDO PELO ESPÍRITO

1. É um sinal de um novo tempo

Um tempo sem o Espírito, porém, é um tempo de julgamento. Este tempo está terminando agora. No momento em que ressoa a voz do céu aberto, irrompe a salvação.
A figura da pomba deu um sinal do término do julgamento após o dilúvio na época de Noé. A pomba agora dá o sinal da vinda do Espírito Santo sobre Jesus, abrindo os portais da graça.

2. A sua unção é reveladora

Quando Jesus saiu da água o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele. Ele estava cheio do Espírito Santo. Jesus como homem precisou ser revestido com o poder do Espírito Santo.

Não é que ali isto ocorreu, mas ali foi demonstrado, publicado e revelado. Ele não estava vazio e só ali foi cheio. Não se pode imaginar nenhum momento na vida de Jesus que ele não vivesse oculta ou abertamente no Espírito Santo.

3. É dirigido pelo Espírito

Ele foi guiado pelo Espírito Santo ao deserto. Ele retornou à Galiléia no poder do Espírito Santo. Ele agiu no poder do Espírito. [Atos 10:38]

III. JESUS É APROVADO PELO PAI

Jesus viu os céus rasgarem-se. Céu e terra tinham se fechado um para o outro e os abismos estavam escancarados. Deus é quem derruba o bloqueio, rasga os céus e derramar sua força e suas dádivas sobre a terra. Sobre este Jesus Deus rompe seu silên­cio, Deus intervém passando a executar o plano redentor. A voz do céu aponta a completa aprovação do Pai à missão do Filho como mediador e nosso substituto.

1. É Filho

Jesus não foi ali adotado, mas declarado, anunciado e revelado. O Filho é eterno! O Pai e o Filho são co-iguais, co-eternos e consubstanciais [diferente em função, iguais em essência]. Eles sempre tiveram em plena comunhão na eternidade, mas devido o pacto da redenção por causa do plano redentor, o Pai envia o Filho. O Filho se dispõe por causa deste pacto sujeitar-se ao Pai. Ele se dispõe a fazer-se carne, despojar-se da glória e morrer.

Os orientais chamavam de filho de Deus um descedente de rei, os judeus jamais chamavam alguém de filho de Deus, era uma blasfêmia. Os gregos chamavam de "divina" qual­quer pessoa que se destacasse em termos de talentos e realizações: poetas, estudiosos, políticos, esportistas, médicos ou milagreiros.

Curiosamente Jesus não é chamado/reconhecido por Filho de Deus em todo o livro, a menos pelos demônios. Mesmo revelando seu poder com diversos milagres. É dito que Ele é Filho de Deus pelo comandante, já no final do livro (15.39). Isto acontece, portanto, no próprio momento em que as mãos milagrosas estão pregadas, o operador de milagres não desce da cruz e sua debilidade é ridicularizada. A glória deste Filho não pode ser separada da sua vergonha, na verdade é na cruz que fica mesmo evidente que ele é o Filho.

2. É amado

O Pai declara seu amor pelo Filho. A palavra amado não fala somente de afeição, mas de singularidade. É nos revelado dos céus o maravilhoso amor entre o Pai e o Filho, que por meio deste amor foi realizada a obra da salvação. Ao mesmo tempo é nosso sustento e conforto no mundo.

Jo 3:35 - O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos.
Jo 15:9 - Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor.

3. É o seu prazer

Quando Jesus saiu da água, o Pai falou. Ali estava a Trindade [Pai, Filho e Espírito] participando do seu ministério. O Pai afirma sua filiação e declara que em Jesus e na sua obra Ele tem todo o prazer.

Aplicação - Nem todo o filho amado é deleite do pai. Podemos amar um filho e ele infelizmente não nos conferir prazer, mas dor, vergonha e tristeza. Davi amava Absalão, mas ele não era deleite de Davi. Jesus era o deleite do Pai.

Resumo: Sua voz do céu diz, em outras palavras: Assim você é e continua sendo meu Filho amado especial; estou com você para o que der e vier; sobre você desce o meu céu; você tem e é o meu agrado, pois eu não me agrado da morte do pecador, mas que ele se volte e viva (Ez 18.23)!

IV. JESUS É TENTADO PELO DIABO

Vejamos algumas verdades sobre esta tentação:

1. As Circunstâncias da Tentação

a. Ocasião

Logo [41x], revela que não houve intervalo entre o batismo e a tentação, Jesus vai da aprovação do Pai para as ciladas do maligno, da água do batismo para o fogo da tentação. Consagração e provação inauguram o ministério de Jesus.

Aplicação - Revela que a vida cristã não é uma colônia de féria, mas um campo de batalhas. O fato de sermos filhos de Deus não nos isenta de provações, antes por sermos filhos somos mais tentados.O Filho de Deus por ser aprovado pelo Pai e ungido pelo Espírito não foi concedido “vida fácil”

b. Agente

O Espírito Santo foi o que impeliu Jesus para ser tentado [moveu com urgência, moveu-o]. A tentação não foi um acidente, mas uma direção divina. Veja que a iniciativa é do próprio Deus. É Jesus que invade o terreno do inimigo, o confronta, ataca. Satanás é perturbado e assim é forçado a reagir.

Essa tentação não procedia de dentro dele, mas era externa. No nosso caso quando o diabo sussurra uma tentação em nossos ouvidos ele desperta a nossa carne, ele aguça nossa natureza pecaminosa [Tg 1:14]. Com Cristo não foi assim, pois ele não tinha pecado.

c. Lugar

O deserto aqui é um lugar desconfortável, severo e agressivo. Lugar de desolação e solidão. É na bíblia um lugar de provas e de vitórias. É um lugar de treinamento de Deus. Ele estava cansado e faminto. Suas forças físicas haviam se esgotado, seu corpo debilitado, em agonia.

d. Tempo

É dito que ele foi tentado continuamente, por 40 dias. Este número é de provação: Dilúvio [Gn 7:12], Moisés [Ex 34:28], Elias [I Re 19:8], Israel [Sl 95:10]. Mesmo depois continuou tentado em ocasião oportuna.

e. Tentador

Satanás não um mito, lenda ou uma idéia ou energia negativa. Ele é um anjo caído, maligno e perverso, assassino, ladrão, mentiroso. Seu alvo é destruir e derrubar o povo de Deus, sua obsessão é frustrar os planos de Deus. Ele tentou o Adão, e saiu vitorioso, ele tentou o segundo Adão e saiu derrotado. O primeiro fracassou; o segundo foi vitorioso.

2. O Propósito da Tentação

Para mostrar que ele estava pronto para realizar sua missão. O propósito da tentação pelo ângulo de Deus é nos fortalecer. Ele foi tentando para provar sua perfeita humanidade. Por ser homem ele foi tentado. Suas tentações foram reais [Hb 2:17, 4:15]. Ele foi tentado para ser um exemplo. Por isso ele se compadece de nós e pode nos socorrer.

Hb 2:18 -Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.
Hb 4:15 - Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

3. A Vitória sobre a Tentação

Jesus saiu vitorioso, embora saibamos que ele seria outras vezes tentado, mas ali já demonstrara seu poder. Para sua vitória ele usou armas:

a. Oração – Sua intimidade com Deus foi a chave. O que nos leva a cair não é presença do inimigo, mas a ausência de Deus. Se estamos na presença de Deus triunfaremos. Quando oramos vencemos!

b. Jejum – Jejum é um deleite em Deus, é a afirmação que Deus é mais importante do que tudo para nós. É fome de Deus. Spurgeon afirma que os tempos mais vitoriosos em sua igreja era o tempo de oração e jejum!

c. A Palavra de Deus – Ele usou a espada do Espírito. Ele rebateu com a Palavra. Infelizmente somos presas fáceis dos ardis de Satanás porque vivemos um analfabetismo bíblico. Crentes ignorantes são presas fáceis do diabo. Hoje se quer vencer o diabo com gritos, como misticismos, com amuletos e com fetiches, que nada mais são armas fabricadas pelos homens, carnais, mas Deus nos deu sua Palavra, a arma mais poderosa nesta luta.

Conclusão:

Quem pode nos compreender verdadeiramente nesta vida? Quem pode entender o nosso interior, o que se passa dentro de nós, no nosso íntimo? Cristo! Ele se identificou conosco, tornando-se um de nós, ele andou com homens, viveu como um de nós experimentou esta dura realidade da vida, experimentou a tentação como nos experimentamos, mas como nosso representante, foi fiel. É por isso que ele é digno de nossa adoração. Aquele que nós adoramos e servimos. Aquele que freqüentemente recebe nossa adoração e devoção não é um ser estranho, distante de nossa realidade, é um de nós!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

BUSCANDO PROFUNDIDADE NAS ESCRITURAS -Fórum de Discussão da Exposição de Marcos -

Shalom!

Gostaria de abrir um fórum de discussão, visando um aprofundamento sobre alguns temas que serão apresentados na exposição de Marcos na IBF. O propósito é claro, aprofundar, ir mais longe, solidificar o ensino e as questões, minimizar o máximo as dúvidas sobre algum assunto decorrente das pregações. Sugiro este: O QUE É O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO?

Como responder as questões oriundas dos pentecostais tradicionais que ensinam a necessidade de uma segunda benção para o crente, chamada batismo no/com Espírito Santo. Apresento-lhes inicialmente um texto bastante citado por eles para fundamentar seu ensino:

“Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, 2 perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. 3 Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. 4 Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. 5 Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. 6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam. [Atos 19:1-6]”

Na ótica pentecostal, o batismo no/com Espírito Santo está fundamentado ali, essas pessoas precisaram passar por uma segunda experiência [batismo do Espírito Santo] ministrado por Paulo e evidenciado pelas línguas. Logo todos os crentes precisam passar por esta experiência. E aí como você responderia a esta questão? Qual é a resposta bíblica?

Pr. Luiz Correia
[Deus meus et omnia]

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

UMA VIDA VOLTADA PARA DEUS

Mc 1:2-8

Introdução: Três aspectos compõem a preparação de Cristo, para sua tarefa de servo-sofredor. Marcos trata destes aspectos como um prólogo, uma introdução a pessoa e a obra de Cristo, dois destes são o batismo e a tentação, hoje iremos contemplar o primeiro, a pessoa de João Batista. Quero considerar quatro aspectos na vida de João que caracteriza uma vida totalmente voltada, consagrada para Deus.

I. UMA VIDA VOLTADA PARA DEUS POSSUI UMA MISSÃO [2-3]

Depois de cerca de 400 anos de silêncio, João é levantado diante de uma nação se esperança, cansada e sem vida. O cenário é de desesperança.

1. Sua missão foi profetizada

A vida de João é um cumprimento de um plano maravilhoso profetizada por Isaías 40:13, Ml 1:2, embora cite dois, menciona apenas Isaías, o mais popular. A vida e a missão de João é parte de um plano maravilhoso. É um Ela foi profetizada e eternamente planejada por Deus. João não vive a vida ao leu, sem entender a vontade de Deus, sem compreender o fim de sua existência. Ele entende que sua vida é fundamentada numa missão, ele sabe para que veio.

2. Sua missão é preparatória

Qual é a missão de João? João preparou o caminho Cristo. João é como um mestre de obras na construção de estradas espirituais. Quando um rei iria visitar uma lugar, um mensageiro antecipava a visita preparando o caminho, limpando as estradas, retirando os entulhos, tapando os buracos. Bem como a preapração do povo para chegada do Rei. Providenciava tudo para que o rei viesse sem problema. Sua missão é preparar o coração dos homens para receber o Messias!

a. Aterra vales – depressão que separa dois montes, João veio unir o que estava separado.
b. Nivela montes – fala de soberba e incredulidade. Isto precisa ser removido para que o poder de Deus se manifeste.
c. Ele endireita caminhos – fala de vida sem integridade, de vida torta, de vida dupla. João chama a uma vida sincera e integra diante de Deus.
d. Aplaina caminhos escabrosos – ele coloca as coisas no lugar e leva as pessoas acertar suas vidas com Deus.

3. Sua missão é árdua [espinhosa]

Na realização dos propósitos de Deus para as nossas vidas, devemos entender que Deus nos chama para trilhar caminhos muitas vezes espinhosos em nossa missão.

João é um exemplo disto, assim como tantos outros. Houve um custo para a realização da missão, João abriu mão de sua vida, viveu no deserto, abriu mão de regalias, sujeitou-se a críticas [veio João], quando enfrentou Herodes com coragem, foi preso e depois degolado. Pagou com sua vida o cumprimento de sua missão.

4. Sua missão é vivida com paixão

“Clama” significa clamar com profundo sentimento. João tinha paixão pelo que fazia. Era um fervoroso! Era uma tocha acesa!

A vida de João é vivida de forma radical e apaixonada. Ele se entrega com satisfação e com toda sua energia ao cumprimento de sua missão. Ele se doa! Ele prega com paixão, com zelo, com amor.

Aplicação –

Quem eu sou? Qual é o meu papel? Qual é a minha função? Qual é o meu ministério? Qual é o meu dom? João sabia quem ele é, não sofria de crise de identidade, não vivia sem meta, sem foco, sem propósito, tinha sua vida focada numa missão, dedicava-se absolutamente a ela, e a ela sem entregava, pagava o preço.

Alguém disse: “se você não é capaz de morrer por algo que você crê não é digno de viver por isto”. João tinha consciência de seu papel na história, na vida. Deus na eternidade nos fez, planejou, arquitetou o nosso plano. Cumpra e realize-se! Toda vida humana, toda pessoa, foi criado realizar algo em sua existência. Qual é sua missão? Qual é seu propósito? Para que ou em que você tem colocado sua vida?

II. UMA VIDA VOLTADA PARA DEUS LIDA COM VIDAS [ENVOLVE-SE COM PESSOAS] [4-5]

Toda vocação é válida, mas nossas vidas devem ser focadas em vidas, em pessoas. Vidas! Gente! Pessoas! Ser humano! João lida com pessoas. João trata de duas questões centrais da vida humana. Toda Judéia e Jerusalém!

1. Fala de Pecado - Trata do maior problema do homem

João fala de arrependimento. Arrependimento fala de pecado. O arrependimento é a porta inicial para uma nova vida. O arrependimento tem dois lados, dar as costas ao pecado e voltar-se a face para Deus. O arrependimento fala de mudança de mente, de atitude que resulta em mudança de comportamento. É voltar-se do pecado para Deus. O arrependido confessa seu pecado!

Aplicação - Sua maior necessidade, amado amigo, é arrepender-se, seu maior problema é seu pecado. Seu pecado o afasta de Deus e o condena a uma eternidade miserável. Somente os que choram por seus pecados serão consolados.

2. Fala de Perdão - Trata de esperança [cura] para o homem

O batismo não oferece perdão, simboliza o perdão. É um sinal visível de um arrependido. O batismo vinha acompanhado de confissão. É por isso que seu batismo infantil não serve para nada! O batismo é sinal de uma confissão consciente dos seus pecados.

João não fala apenas de pecado, fala de cura, de remissão. O resultado de um arrependimento é limpeza dessa sujeira chamada pecado. O arrependimento começa com tristeza e termina com alegria e alívio.

Eu penso que uma ótima figura para ilustrar o pecado em nossa vida seja essa: uma fossa estourada! Pois bem mediante o arrependimento, Deus poder remover a sujeira do pecado e nos deixar limpos, puros!

Esta é boa notícia, há perdão! Há cura, há esperança. Toda vez que um pecador se arrepende ele é perdoado, seus pecados são purificados, sua vida é restaurada!

Deus tem o poder de afastar as nossas transgressões. Que Deus maravilhoso e tremendo.

Salmo 103:12-13 12 Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. 13 Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem.

Ex 34:6-9 6 E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; 7 que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração! 8 E, imediatamente, curvando-se Moisés para a terra, o adorou; 9 e disse: Senhor, se, agora, achei graça aos teus olhos, segue em nosso meio conosco; porque este povo é de dura cerviz. Perdoa a nossa iniqüidade e o nosso pecado e toma-nos por tua herança.

3. Usa a pregação como instrumento.

Para tratar do pecado e falar de esperança João só tem um instrumento, a Palavra. João é essencialmente um pregador. Ele é a voz! Sua vocação está tão ligada com ele que mistura-se com sua própria identidade. Ele não tem nada além da Palavra, e não precisa. Não se menciona nem milagre em seu ministério. Mas ele prega a Palavra.

Aplicação:

Precisamos de pregadores! Carecemos urgentemente de pessoas que se dediquem com afinco a arte da pregação. Sinto-me preocupado diante de Deus quando sinto necessidade de professores, pregadores e não os tenho no rebanho. Quero que muitos sejam salvos pelo meu ministério, quero que muitos sejam restaurados, mas desejo ardentemente deixar pregadores! Nossa igreja precisa de mais pregadores, as pessoas precisam de pregadores, de homens de Deus que conheçam a Palavra, que a preguem com paixão e com amor.

Como desejo Deus levantar uma geração de pessoas consagradas ao santo ministério, como anseio ver pregadores saindo para semear a Palavra de Deus.

“Ó Deus, ouve minha oração, levanta antes de fechar meus olhos uma geração de homens e mulheres que tenham seus corações voltados para ti e cheios da tua Palavra. O mundo precisa ouvir de Ti, o mundo precisa desesperadamente ouvir da tua salvação, o homem precisa se arrepender e crer para que sejam salvo. Levanta, meu Deus, urgentemente pregadores da tua Palavra! Levanta, meu Deus! Amém”

III. UMA VIDA VOLTADA PARA DEUS É MARCADA PELA SIMPLICIDADE [6]

João é um homem humilde, embora Cristo afirmasse que os nascidos de mulher João foi o maior de todos. João não tinha títulos, diplomas, mas tinha poder. O poder de João vinha de Deus porque ele era humilde. O poder se aperfeiçoa na fraqueza! Sua simplicidade é vista

1. Em suas palavras

Ele se sente indigno de desatar-lhe as sandálias de Cristo. Um discípulo servia como escravo, menos desatar sandálias. João se considerava menos que um escravo. Ele sabe quem ele é, e sabe quem é Jesus. Ele se põe em seu lugar e tem alegria por isso. João exaltou a Jesus em sua vida e nunca a si mesmo. João embora fosse de classe sacerdotal, um levita, foi chamado para ser profeta.

2. No lugar onde prega [deserto]

João nãos buscava fama ou popularidade, embora atraísse multidões. Ele não prega no templo, nas praças. Ele prega no deserto da Judéia, em terras ruins, lugar inóspito, inadequado, distante, estranho. Não há conforto no deserto! Mas João é a boca de Deus.

Porque o deserto?

a. Distanciar das distrações
b. Chamar atenção do povo
c. Romper com a hipocrisia dos líderes religiosos [conforto]
d. Cumprir a profecia de Isaías

3. Na maneira como se veste

Matthew 11:8 8 Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais.

João não era homem de roupas finas, não era homem de griffe, de “Armani”. João não era elitista. João é simples no vestir. Ele rompeu com o padrão. Algumas pessoas usam determinadas roupas com fim de serem vista e atraídas pelos olhares de outros, João buscava no vestir a simplicidade. Aliás, a roupa de certa forma é uma extensão de nossa caráter e nossos valores. [Deus o estilista]

4. Nos seus hábitos alimentares

João não era dado a finos banquetes. Sua alimentação é simples. Gafanhoto pode parecer estranho a nossa cultura. Mas era rico em proteínas!

IV. UMA VIDA VOLTADA PARA DEUS APONTA CRISTO

1. Sua vida era centrada em Cristo

A vida de João era centralizada em Cristo. Ele preparou o caminho para Cristo, ele batizou Cristo, ele anunciava Cristo, ela apontava Cristo.

John 3:26-30 26 E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro. 27 Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada. 28 Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. 29 O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. 30 Convém que ele cresça e que eu diminua.

2. Fala da salvação em Cristo

João fala do batismo com Espírito Santo. Que é salvação. Há uma confusão teológica por parte dos Pentecostais tradicionais, que afirma que o crente precisa passar por uma segunda experiência ou segunda bênção depois da conversão, chamada batismo no/com Espírito.

O que é o batismo no Espírito Santo? É o ser introduzido [mergulhado] na esfera do Espírito e isto ocorre quando você se converte. Essa benção, que do ponto de vista de João era futura, mas do nosso é passada, ocorre simultaneamente à conversão, não posteriormente a ela [Ef 1:3], assim como outras demais ocorrem: perdão, justificação, adoção, vida eterna, união com Cristo.

Ef 1:13 "Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa"

1 Co 12:13 "Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito. "

Conclusão:

1. Cumpra sua missão! Procure realizar o propósito de Deus para seu viver. Seja útil!
2. Envolva-se com vidas! Invista em pessoas, principalmente na sua restauração, pregue o evangelho!
3. Busque a simplicidade no viver! Fuja da ostentação e vaidade mundana!
4. Aponte a Cristo em seu viver. Viva em Cristo para que outros veja Cristo em sua vida.