segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

SÓ A DEUS GLÓRIA - Soli Deo Gloria [Parte I]


Rm 11:33-36

Introdução:

Quero iniciar esta mensagem com citações [adaptações] de dois gingantes da fé cristã, um pertencente ao século XXIX, Charles Haddon Spurgeon que em Londres aos 20 anos iniciou seu pastorado com um sermão sobre conhecer a Deus:

“O estudo apropriado do eleito de Deus é Deus. A mais alta ciência, a especulação mais elevada, a filosofia mais poderosa, as quais podem capturar a atenção de um filho de Deus, é o nome, a natureza, a pessoa, a obra, as atitudes, e a existência do grande Deus a quem ele chama seu Pai.

O segundo é A.W. Tozer do século XX pastor em Chicago. Em seu livro “Mais perto de Deus” ele afirmou de uma forma bela e profunda:

“A igreja abandonou seu elevado conceito de Deus, substituindo por algo tão baixo, tão ignóbil e em último caso tão indigno de pessoas que pensam e adoram... Esta baixa concepção de Deus nutrida quase universalmente entre os cristãos é a causa de cem males menores por todos os lugares entre nós... Com a nossa perda do senso da majestade vem a adicional perda do respeito e consciência da presença divina. Perdemos nosso espírito de adoração e nossa habilidade de nos recolhermos introspectivamente para encontrar com Deus em silêncio de adoração.”

Spurgeon apela para que voltemos a Deus e nos lancemos a conhecê-lo como fonte de toda realização humana. Tozer alerta que a terrível perda da majestade de Deus levou a igreja a se tornar enferma.

Esta ultima mensagem é um convite a pensamos sobre a glória de Deus e tem como objetivo convencê-lo a crer que...

O FIM SUPREMO E PRINCIPAL DO HOMEM É GLORIFICAR A DEUS E [AO] TER NELE A SATISFAÇÃO PLENA E ETERNA.

[Resposta a pergunta n°1 do Catecismo de Westiminster – Qual é o fim principal do homem?]

S.I. Quais algumas perguntas cruciais a se fazer para que o homem venha a entender e cumprir o principal propósito de sua existência?

S.T. Faremos algumas perguntas e daremos suas respectivas respostas à luz da Palavra de Deus para que o homem conheça, se convença e cumpra seu propósito final...

I. O QUE É A GLÓRIA DE DEUS?

Nas Escrituras temos que fazer uma diferença entre o substantivo “glória” e o verbo “glorificar”.

1. É a manifestação externa de todos os atributos de Deus.

Exemplos: amor, bondade, poder, justiça, retidão, santidade. Quando qualquer atributo é exibido no universo, a glória de Deus é revelada. Todos os atributos de Deus revelam sua glória.

A glória de Deus é intrínseca a Ele, como a luz é intrínseca ao sol. Ele é o Deus da glória [At 7:2]. A glória é brilho da divindade, Deus não é Deus sem ela!

A honra não é essencial ao ser humano. Lula é o presidente e por isso lhe é devida algumas honras em face de sua posição, mas ao ser lhe tirado a posição, lhe tirado a honra. A glória de Deus faz parte de sua essência, Ele não pode ser Deus sem ela.

Esta glória não pode acrescida, porque é infinita e pefeita; e nem lhe tirada ou repartida.

Is 42:8 Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.

Deus dará bênçãos temporais aos seus filhos, como sabedoria, riquezas, e lhes dará bênçãos espirituais, graça, amor e o céu; mas a sua glória Ele não dará a outro.

Os atributos declaram a singularidade do Senhor. Ele é incomparável, eterno e infinito, único, majestoso, sem igual, portanto cheio de glória!

Passeando de carro, eu e minha esposa vimos um carro esportivo e luxuoso, que chamava atenção. Por quê? Porque um Gol não chama atenção? Porque o sol? A lua? As estrelas? Porque são singulares, únicos e incomuns. Assim é Deus! Ele é incomparável

Sl 113:5 Quem há semelhante ao SENHOR, nosso Deus, cujo trono está nas alturas,
Sl 89:6 Pois quem nos céus é comparável ao SENHOR? Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao SENHOR?
Ex 15:11 Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?
Is 40:18 18 Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?

2. A glória de Deus é o fim de tudo!

1 Pe 4:11 para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! [I Co 10:13]
Cl 1:16 Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Tudo foi criado e tudo que acontece visa tão somente a glória de Deus. O fim do homem então é glorificar a Deus. O homem pode perder tudo, até a vida, mas a grande tragédia e infelicidade, e miséria é perder seu propósito, seu fim, que é glorificar a Deus.

Toda a santa trindade deve receber a glória: O Deus-Pai que nos deu vida; Deus o Filho que entregou sua vida por nós; e o Deus Espírito Santo que produz uma vida nova em nós.

II. O QUE É GLORIFICAR DEUS?

O verbo glorificar que é o ato de dar glória, a honra. Diz respeito a ação de reconhecer sua glória, assim de honrá-lo e adorá-lo. É um reconhecimento de quem Deus é e quem nós somos. Tudo que Deus faz é buscando revelar sua glória e ser glorificado em tudo.

Se Deus não fizesse isto estaria pecando. Pois não há no universo nada mais glorioso que Ele mesmo. Assim Ele fez e faz tudo para sua glória e assim todo o universo foi feito para sua glória, logo o homem foi feito para sua glória.

Is 48:11 Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem.

Glorificar Deus consiste em realizar quatro coisas:

1. Apreciação [Avaliar como algo precioso]

Glorificar Deus é colocar a Deus como alguém mais alto em nossos pensamentos, e tê-lo em estima mais elevada. Na escala de valores que temos Deus deve ser o primeiro, acima de tudo.

Amo minha esposa, meus filhos, minha família, amo muitos irmãos e até animais e coisas, amo algumas atividades [ler, cantar, comer, assistir, pescar], mas nada na minha vida deve estar acima de Deus.

Sl 92:8 8 tu, porém, SENHOR, és o Altíssimo eternamente.

Sl 97:9 9 Pois tu, SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra; tu és sobremodo elevado acima de todos os deuses.

Fp 2:9 Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, 10

Deus é admirável, belo, majestoso. Ele é glorificado quando nós o admiramos. Admire os atributos de Deus, estime como aquele que é o mais valioso de todos os seres.

Você sabe fazer isto e você sempre estar fazendo. Por sua percepção e pensamentos você coloca algo acima de outras coisas. Quando você escolheu casar-se você fez isto. Quando está diante de um alimento você faz isto. Esta capacidade inerente do homem em discernir o bom do ótimo é para que ele use isto a fim de apreciar a beleza e majestade de Deus!

2. Adoração

Sl 29:2 2 Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza da santidade.

Nossa adoração para ser aceita tem que ser feita em “espírito e em verdade”. Em espírito opõe-se a adoração meramente externa [formal, tradicional, vazia, mecânica e árida]. E em verdade é o oposto de adorar a Deus baseado em um falso entendimento dEle. A adoração envolve coração e cabeça, emoções e pensamentos.

Verdade sem emoção produz ortodoxia morta e uma igreja cheia de admiradores artificiais. Por outro lado emoção sem verdade produz agitação vazia e leva-nos a atos irracionais e emocionalismo bizarros.

Adoração é fruto de emoções profundas, grande amor e doutrina sadia. Emoções fortes por Deus arraigadas a verdade é a essência da adoração.

3. Afeição

Adorar é uma maneira alegre de refletir de volta para Deus o brilho do seu valor. Não é um mero ato da vontade. Sem a participação do coração, não adoramos. O envolvimento do coração na adoração é o despertamento de sentimentos, emoções a afetos do coração.

Adoração genuína inclui sentimentos interiores que refletem o valor da glória de Deus. Toda emoção genuína é um fim em si mesma. Ela flui naturalmente. Isto não quer dizer que não devamos procurar ter certos sentimentos. Devamos e podemos. Mas a emoção autêntica flui naturalmente.

Imagine um cego que voltou a ver ao ser colacado numa linda campina para ver o por do sol. Que sentimento vem ao coração dele? Ele ficará maravilhado e impressionado com tanta beleza! Imagine qual deve ser a reação de um naúfrago boiando sem ter água e comida há dias ao ver terra firme no horizonte! Esperança, alegria e anseio de chegar lá! Qual a reação de uma criança no natal que ganha o presente que sempre sonhou? Satisfação, alegria, gratidão!

Quando a realidade de Deus nos é apresentada em sua Palavra ou em seu mundo, e nós não sentimos nenhuma tristeza, anseio, esperança, medo, reverência, alegria, gratidão ou confiança, então nossa adoração não será adoração de verdade.Assim adoração é autentica quando surge afetos por Deus no coração como um fim em si mesmos.

Imagine no dia do aniversário de casamento eu traga um buque de rosa para minha esposa. Quando a entrego; ela responde: “Ó Lu, são lindas. Obrigada! E venha para me abraçar e me beijar! Imagine que levante mão e diga: Não foi nada. É a minha obrigação!

É minha obrigação? Não é meu dever lembrar o casamento? Tem valor este ato? Sim, se tiver com o meu coração. Rosas por obrigação não tem valor. Se eu não tiver um genuíno afeto por ela as rosas perdem o valor [Elas não falam, como diria Cartola!]. Elas não a honram antes a desmerecem.

E se depois a levo para um jantar para comemorar o dia do nosso casamento, e lá ela me pergunta: “Por que você está fazendo isso?” E eu responda: “Porque nada me deixaria mais feliz esta noite do que estar com você. É minha obrigação!” Isto desonraria. Mas se eu dissesse: Porque nada...É meu prazer!”

Imagine ainda depois de jantarmos eu olhasse para ela e dissesse: Eu tenho que te beijar antes de irmos embora? Ela responderá: Você tem, mas não por obrigação. Se for motivado por um afeto espontâneo por mim...

É isto que significa adoração. É um banquete de prazer! Honramos a Deus quando dizemos a Ele: É meu prazer te adorar! É o meu prazer te louvar. Tu és minha alegria e minha satisfação! Um dia na tua presença... Agrada-me em fazer tua vontade!

Sl 16:11 11 Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.

Sl 73:25-26 25 Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. 26 Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.

Aproximar-se de Deus buscando o prazer nEle é a única coisa certa a fazer. O prazer do cristão é dar honra a Deus ao reconhecer [e sentir de verdade] que somente Ele pode satisfazer o anseio do coração de ser feliz! Deus é glorificado quando temos nEle todo nosso prazer! E Deus somente é glorificado quando Ele é todo nosso prazer!

Agrada-te no Senhor e Ele fará os desejos do Teu coração. Ou seja “Tem toda satisfação prazer, alegria, gozo, desfrute plenamente do Senhor e teu coração será saciado, satisfeito!”

4. Sujeição

É o ato de submeter-se a Deus. Deus é glorificado quando nos submetemos a sua vontade. Assim como os anjos estão submissos assim devemos nós. Temos devemos oferecer a ele o nosso querer, e assim submeter-se plenamente. Dobrar o joelho é exatamente isto. É dobrar nosso coração, é buscar fazer o que lhe agrada.

Continua...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

SÓ A FÉ - Sola Fide



Rm 3:21-26

Introdução:

Temos demonstrado o valor da Palavra, ela evangeliza, santifica e orienta, portanto ela é suficiente. Apresentei a singularidade de Cristo, em sua supremacia, sacrifício e suficiência na salvação. Defendi a graça com suas preciosas lições que nos ensina humildade, dependência, suficiência, poder e contentamento. A graça destrói os méritos humanos e exalta a bondade e o amor de Deus. Afirmamos que a Bíblia é a única autoridade e que a graça é o único meio de salvação, que Cristo é único que pagou na cruz os nossos pecados. Então a questão é: Como é que uma pessoa pode receber a salvação? Ou, dito de outra maneira, como é que uma pessoa pode se reconciliar com Deus? Chamamos isto de Justificação pela Fé que é definida:

JUSTIFICAÇÃO É UM ATO DE DEUS PELO QUAL ELE DECLARA PECADORES JUSTOS SOMENTE PELA GRAÇA POR MEIO DA POR CAUSA SOMENTE DE CRISTO

S.I – Quais os elementos fundamentais para a correta compreensão da Justificação pela Fé?
S.T – Somente compreenderemos a obra da justificação pela fé se e somente se entendermos esses elementos fundamentais...


I. A NECESSIDADE DE JUSTIFICAÇÃO: O PECADO [v.10-11, 23]

Para a compreensão desta maravilhosa verdade temos que inicia com a condição em que se encontra o homem. Porque justificar? E por que só pela fé? Justificar fala de um quadro de juízo, penalidade judicial. O homem pecou e seu pecado exige de Deus um julgamento. Na perspectiva de Deus, diante da santidade e perfeição divina, todos pecaram.

É essa condição que se faz necessária a justificação, o homem pecou e Deus deve julgá-lo. E essa condição espiritual é demais necessária que o homem compreenda. Ele é um miserável pecador, digno de ser julgado e condenado, separado para sempre de Deus. E Deus ao agir assim agirá porque sua justiça requer.

Muitas pessoas não levam a sério esse quadro, não tem noção de sua condição aos olhos de Deus, o orgulho não permite ver em que situação se encontra diante do Seu criador.
O homem por si só não consegue perceber o quadro deplorável e miserável de sua situação aos olhos de Deus. Mas somente a convicção do pecado torna possível a justificação pela fé.

Enquanto o coração do homem não vier tiver sede de alívio pelo imenso e terrível pecado, a infeliz condição de sua alma longe de Deus fruto da culpa por seus pecados ele jamais será justificado pela fé.

II. A FONTE DA JUSTIFICAÇÃO: A GRAÇA [v.24]

Uma vez que o homem é pecador e, portanto incapaz de por si só, mediante seus esforços, sua moralidade, suas obras, sua religiosidade resolver seu problema, então o segundo aspecto fundamental da justificação é sua fonte. De onde vem a justiça de Deus? Por que Deus justifica o homem?

Ninguém pode se justificar, a justiça não procede do próprio homem [v.20]. A lei não é capaz disto, pois o homem não pode cumpri-la e ela não foi dada com este alvo, pelo contrário ele foi nos dada para revelar o nosso estado de miséria. Ela é um espelho que mostra o nosso coração pecaminoso.

Como então a salvação é possível? É possível somente se Deus fizer a obra por nós – que é o que graça significa. Neste sentido a salvação não é uma sinergia, mas uma monergia. O homem não coopera para salvação, pois não possui mérito nenhum diante do seu Criador. É falacioso dizer Deus ajuda a quem se ajuda. Ou Deus deve a todos uma oportunidade de serem salvos.

Então a obra da salvação é única e exclusivamente divina e nos é doado graciosamente, visto que ninguém absolutamente a merece. Se não fosse pela graça de Deus, totalmente não solicitada e totalmente imerecida ninguém seria salvo.

III. O FUNDAMENTO DA JUSTIFICAÇÃO: A CRUZ DE CRISTO [v.25]

Sob que base Deus justifica? Ele oferece a justificação baseada em que? Paulo diz que é baseada no que Cristo fé no cruz. Ali ele alcançou a redenção [v.24] e a propiciação [v.25]

Deus deixou impunes os pecados anteriormente cometidos [v.25]. Paulo explica como Deus tratara dos pecados anteriormente cometidos antes da encarnação e morte de Cristo. É como se Deus parecesse conivente, em vez de condenar, justificava os pecadores.

Exemplos: As falhas de Abraão e o adultério de Davi. Quando morreram eles não foram condenados. Isto parecia que Deus ignorava, era conivente, perdoando sem fundamento. Como Deus podia agir assim sendo Santo e Justo. Como poderia ser justo e perdoador? Se perdoasse agiria com injustiça, se agisse com justiça não perdoaria.

Mas na morte de Cristo Deus se tornou perdoador justo de todo o que crê. Pois com base na morte do seu próprio Filho ele os perdoaria. Assim com base na mesma morte Ele perdoa agora. Deus havia sido justo quando ele justificou e continua justificar. [v.26]


IV. O MEIO DE JUSTIFICAÇÃO: A FÉ [v.25-26]

Como então eu me aproprio desta obra? A fé é o canal pelo qual a justificação vem a nós, se torna nossa. Sem ela ninguém será justificado. Ela é um dom de Deus! [Ef 2:8-9].Por isso Só a Fé. Precisamos ter um conceito correto de que venha a ser fé salvadora. Qual sua natureza? Quais elementos que a torna um fé verdadeira e operosa?

1. O primeiro elemento é conhecimento [consciência para Spurgeon]

O conhecimento é o primeiro elemento. A verdadeira inicia com o conhecimento. Não posso exercer fé sem saber. “Nada pode entrar no santuário do coração a menos que o primeiro passe pelo vestibular da mente”.

Para se exercer fé é necessário conhecer. Sem conhecimento a fé não é gerada. Se eu não conheço os aspectos mais elementares do evangelho como terei fé.

Na época medieval, que antecedeu a Reforma, prevalecia a ignorância [idade das trevas]. A igreja negligenciava o ensino e a maioria das pessoas até o clero desconhecia as Escrituras.
Como pessoas ta ignorantes seriam salvas? O catolicismo afirmava que não era necessário ao fiel conhecer. O que ele tinha que fazer é confiar na igreja, a igreja e seus ensinamentos são corretos, mesmo que as pessoas não soubessem que ensinamentos era aqueles.

Algo similar prevalece hoje. Uma sombra de completo desconhecimento domina as igrejas. Não há verdadeiro ensino nos púlpitos e o resultado disto é uma igreja enferma dominada por líderes carismáticos que manipulam as pessoas e estas estão cegas em sua maioria sem a verdadeira fé, porque não há verdadeiro ensinamento. Mas a verdadeira fé apóia-se no conhecimento, não na ignorância. Como poderei ter fé sem saber em que ou em quem ter fé?

2. O segundo elemento é convicção [aceitação]

Eu posso conhecer – ter na minha mente o conteúdo – mas ainda estar perdido. Se o ensino não tocou o indivíduo ao ponto dele concordarem isto não constitui a verdadeira fé. Há pessoas que são plenamente capazes de explicar a doutrina cristã mesmo assim não crerem nela. Eles ainda não têm fé.

Calvino acertadamente afirmou: “É preciso derramar no coração o que a mente absorveu. Ela deve enraizar-se no coração...” Trata-se de uma concordância!

3. O terceiro elemento da fé é confiança [Compromisso para Spurgeon]

Trata-se de uma auto-entrega a Cristo que vai além do conhecimento e da concordância [ou aceitação]. Mesmo que você conheça a mensagem do evangelho, mesmo que você concorde e até mesmo seja tocado por ele, esteja convencido de que ele é verdadeiro sua fé ainda não é verdadeira.

Na realidade sua fé é igual a dos demônios. Eles sabem o que a bíblia ensina e eles sabem que é verdade, mas eles não são salvos. [Tg 2:19]. Só acreditar e até concordar não o diferencia da fé que têm os demônios. Os demônios sabem o conteúdo e sabem que é verdade, mas despreza.

Compromisso rompe a linha que delimita o pertencermos a nós mesmos e nos tornamos discípulos do Senhor, ou seja, confiar e se sujeitar totalmente a Ele. Essa confiança ou compromisso envolve uma mudança radical de valores.

A fé produz mudança, o nascido de novo busca ardentemente e apaixonadamente o que antes não via nenhum valor.

Falo da minha vida. Vivi durante um tempo sem conhecer verdadeiramente meu Senhor. Um dia foi me apresentado, nasceu em mim à convicção e uma profunda paixão por Ele. Achei a pedra de grande valor! Dei minha vida por ela! Não consigo imaginar minha vida fora de Jesus. Ele é a minha vida. E tudo o que eu quero na vida é viver para Ele. [Fp 1:21]. É conhecê-lo. Há algo que foi colocado em meu coração que me impulsiona a amá-lo e conhecê-lo. Há algo no meu coração que pulsa por obedecê-lo e que me abate quando não o faço.

Conclusão

Pense num jovem apaixonado por uma moça e vem a casar com ela. As primeiras etapas é a fase do conhecimento. Cada um se empenha em conhecer o outro, considerando suas qualidades para um bom casamento. Nesta fase gasta-se tempo para fazer isto. Ele é o tipo de pessoa que seria um bom marido?Ela é o tipo de mulher que seria uma boa esposa?


A segunda parte é se apaixonar. Corresponde ao elemento do coração, é o ponto em que a outra pessoa começa a afetar a outra emocionalmente. Nesta etapa ele não pensa abstratamente acerca da mulher. Esta é a mulher que eu quero para ser minha esposa? Este é o homem que eu quero para meu marido?

Mas conhecer e apaixonar embora sejam uma experiência maravilhosa, não faz de nós casados. O casamento vem quando o casal se posta diante de seu ministro e recita os votos pelos quais ambos se comprometem. O homem diz: Eu, João tomo você, Maria para ser minha esposa e me comprometo diante de Deus e destas testemunhas de ser fiel e amado, na fartura, na pobreza, na alegria e na tristeza, na doença ou na saúde enquanto viver.

É esta atitude que o liga a Jesus. Jesus morreu por nós, demonstrando seu imenso amor por nós. Assim ele nos cortejou, agora ele espera de nós o compromisso. Esta ilustração tem apensa uma deficiência. No casamento ambos são iguais, mas na aliança divina, é o Senhor que compra, galanteia e se compromete conosco. A obra é dEle!Não há nada que possamos oferecer!



Nada trago nas mãos


-Simplesmente me apego à Tua cruz;


Venho nu a Ti, para vestir-me


- Indefeso, busco a graça em Ti;


Sujo, eu corro até a Tua fonte


-Lava-me, Salvador, ou morro!" [A. Toplady]


Pr. Luiz Correia


[Deus meus et omnia]

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Pra escutar - Mensagem Solus Christus



Baixe em seu computador e escute a Mensagem da série:

Os cinco pilares do verdadeiro evangelho:



Estudo Bíblico Cronológico - John R. Cross



O Estranho no Caminho de Emaús

COMPREENDENDO CORRETAMENTE AS COISAS
Pare e pense: é muito razoável gastar algumas horas da sua vida para tentar compreender a Bíblia. Afinal, a Bíblia contém declarações muito profundas sobrea vida … e sobre a morte. Durante séculos, a Bíblia tem sido um best seller (o livro mais vendido). Qualquer pessoa que pretende ter um mínimo de informação precisa entender seu conteúdo básico. Infelizmente, a Bíblia tem caído em descrédito, não pelo o que ela diz, mas porque alguns homens e mulheres famosos, que dizem seguira Bíblia, fizeram algumas das piores escolhas na vida.Da mesma forma, a mensagem do livro sofreu ataques, às vezes, por pessoas bem intencionadas, que nunca reservaram tempo para realmente entenderem o que ela diz. Mas a Bíblia não mudou. E, apesar do que os hipócritas ou críticos dizem, vale a pena conhecê-la para sua própria paz de espírito, para o bem da sua própria vida e para o bem da sua vida após a morte.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SÓ A GRAÇA - Sola Gratia




II Co 12:7-10


Introdução:

Durante toda a sua vida, um homem pobre quis fazer um cruzeiro. Quando era jovem, tinha visto um anúncio de um cruzeiro de luxo e, desde então, sonhara passar uma semana em um grande navio de turismo, gozando a brisa fresca e relaxando em um ambiente luxuoso. Economizou dinheiro durante anos contanto cuidadosamente seus centavos, sempre sacrificando necessidades pessoais, para que pudesse aumentar um pouco mais os seus recursos.
Finalmente ele conseguiu o suficiente para comprar uma passagem no navio. Foi a um agente de viagem, olhou os panfletos, pegou um que era especialmente atraente e comprou um bilhete com o dinheiro que havia economizado por tanto tempo. Mal podia acreditar que estava para realizar um sonho de infância.
Sabendo que não possuía recursos para comprar o tipo de comida anunciado no panfleto, o homem planejou trazer suas próprias provisões para a semana. Acostumado à moderação, após anos de vida modestos, e tendo gasto toda a sua poupança no bilhete do cruzeiro, decidiu trazer consigo um suprimento semanal de pão com creme de amendoim. Era só isso que ele podia comprar.
Os primeiros dias do cruzeiro foram emocionantes. O homem comia os sanduíches de amendoim sozinho, em seu quarto, cada manhã, e passava o resto do dia relaxando ao sol e ar fresco, maravilhado por estar a bordo.
Pelo meio da semana, entretanto, o homem começou a notar que era a única pessoa a bordo que não estava comendo as luxuosas comidas. Toda vez que sentava no convés, ou descansava no saguão ou saía de sua cabine, parecia que um garçom passava com uma enorme refeição para alguém que solicitara o serviço de entrega na cabine.
Ao quinto dia do cruzeiro, o homem não suportava mais. Os sanduíches de amendoim pareciam velhos e sem sabor. Estava desesperadamente faminto; até a brisa e o sol haviam perdido sua atratividade. Finalmente, parou um garçom e indagou: “Diga-me, como posso ter umas dessas refeições! Estou morrendo de vontade de comer alguma comida decente; farei o que disser para pagar por ela!”
“Mas... o senhor não tem uma passagem para este cruzeiro?”, perguntou o garçom.
“Certamente!”, respondeu o homem. “mas eu gastei tudo que tinha naquela passagem. Não me sobrou nada com que comprar comida”.
“Mas, o senhor” disse o garçom, “o senhor não sabia?” As refeições estão incluídas na sua passagem. O senhor pode comer quanto quiser!”.

Muitos cristãos vivem como aquele homem. Não sabendo das ilimitadas provisões que possuem em Cristo, comem migalhas velhas. Não há necessidade de viver assim! Tudo que poderíamos querer ou necessitar está incluído o preço de nosso ingresso, e o Salvador já pagou por nós!

Há uma palavra que define toda a riqueza que encontramos em Cristo: GRAÇA! Significa presente divino dado a quem não merece. Tudo, absolutamente tudo que recebemos, toda sorte de benção [material ou espiritual] é graça!!!

Paulo [apóstolo da graça] experimentou como poucos a graça de Deus, sofreu como poucos recebeu revelações como poucos e a ele foi dito a mais profunda verdade para qualquer cristão: “A minha graça te basta” [I Co 12:9]. O que se estende a todos nós!

Paulo está derramando seu coração e meio a ataques ao seu chamado apostólico. Os coríntios não reconheciam sua autoridade. Até mesmo sua integridade, lealdade e capacidade foram questionadas por seus inimigos. Seu amor foi posto em dúvida. Uma tempestade de oposição o abateu, talvez a maior tempestade que já enfrentou. Ele falara anteriormente de suas dificuldades e lutas: aflições físicas, aprisionamentos, espancamentos, apedrejamentos, naufrágios, assaltos, perseguição, noites mal dormidas, frio, calor, fome, sede. Mais entre todas as oposições a sua autoridade e chamado certamente o fazia sofrer. A rejeição, a traição, as duras críticas, as falsas acusações, o ódio! Pense um pouco sobre isto! Pense na rejeição, no desprezo e incompreensão vivida por Paulo. Imagine a tentação que seu coração sofreu pela mágoa.

É sobre estas circunstâncias aflitivas que Paulo é capaz de aprender algumas lições maravilhosas sobre a graça de Deus a fim de capacitá-lo a viver de uma forma vitoriosa sabre tudo!

A GRAÇA DE DEUS NOS ENSINA A VIVER VITORIOSAMENTE [1]

S.I. Quais são as lições que a [professora] graça nos ensina a fim de que nossa vida seja vitoriosa?
S.T – Através da experiência de Paulo com seu espinho na carne podemos aprender 5 preciosas lições oriundas da graça...

I. HUMILDADE [v.7]

Uma das grandes tentações que sofremos na vida é o orgulho, especialmente quando estamos em posição de privilégio. Portanto, Deus usa oposição e sofrimento para nos ensinar humildade.

Paulo obteve foi agraciado por muitos privilégios. Viu Jesus em pelo menos 4 situações, ali Cristo revelara-se para instruí-lo e encorajá-lo. [At 9:4-6, 18:9-10, 22:17-21, 23:11, II Co 12:1-4]. Quase a metade do NT foi escrita por ele.

Por causa da natureza extraordinária destas revelações, Deus colocou um espinho na carne de Paulo, para guardá-lo da exaltação [12:7]. Espinho aqui cabe mais a idéia de uma estaca – um pedaço de pau afiado para afligir e/ou torturar alguém. Assim Deus fincou uma estaca, na carne pecaminosa de Paulo, para afligi-la e matá-la, com o propósito de evitar o orgulho.

Esse espinho é descrito como “mensageiro de Satanás”, há diversas interpretações [1] Um líder, usado pelo diabo para se opor a Paulo [2] Uma enfermidade [cegueira ou malária.] Independentemente do que venha a ser o espinho, o propósito é claro. Deus soberanamente determinou usar tal situação para “esbofetear” a fim de humilhá-lo. Deus já fizera isto com Jó e Pedro. Deus o torna útil assim.

Ao contrário de que se pensa, não é elevando o ego ou a auto-estima, a opinião que a pessoa tem de si mesma que corrigimos o relacionamento dela com Deus, com os outros e com ela mesma. Deus nos esvazia nos humilha, nos quebranta para que tenhamos maior intimidade com Ele, para que vejamos sua glória e seu poder! Depois, segundo sua vontade, ele nos exalta!

II. DEPENDÊNCIA [v.8]

É preciso entender que Deus é a fonte da graça, nós somos tão somente canais. Temos a tendência de buscar nas pessoas a cura de nossas mágoas ou em atividades [compulsão por compra]. Deus quer que, em tempos de dificuldade, busquemos primeiramente a Ele.

Essa foi a reação de Paulo frente ao sofrimento. Em II Co ele afirma: “Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim”.

Por causa disto Paulo não disse, fui a psicólogo, repreendi satanás, comecei a comprar, a gastar, fiquei revoltado, sai da igreja. Ele tomou um rumo simples, ele foi a fonte da graça; ele rogou ao Senhor!

Três vezes ele rogou para que Deus removesse o espinho. Veja ele não decretou, determinou. Ele rogou. Sua oração foi persistente, mas humilde. Três vezes o Senhor disse não! Ele não estava em pecado. E Deus disse não! Ele é o Senhor. Ele diz às vezes sim ou espere ou não! Ele aprendeu que os propósitos de Deus se realizariam melhor com a resposta negativa. O não de Deus é sempre bom!!! Há pessoa que dizem que não sabem dizer não! Aprenda com Deus!

III. SUFICIÊNCIA [v.9]

Paulo não ficou irado, magoado e decepcionado com Deus. Eu creio que Deus de imediato não explicou a Paulo o porquê, nem precisa, Ele é Deus e não precisa prestar contas a ninguém do que faz. Creio que paulatinamente Paulo foi compreendendo os propósitos de Deus em tudo aquilo, inclusive no sofrimento e no não de Deus!

Deus disse: “A minha graça te basta”. A idéia é que toda vez que Paulo orava, Deus dizia: A minha graça te basta! Depois de três vezes, ele desistiu!

Deus respondeu a oração de Paulo, Deus sempre responde. Certamente muitas vezes não será o que nós queremos. Ele podia remover o espinho? Claro. Mas Deus não é mal, é bom! E tudo que Ele realiza é sempre visando nosso bem!

Certamente na nossa vida podemos experimentar muitas coisas amargas. Sofrimento, incompreensão, traição, percas, tristezas, mas aquele que é crente no Senhor, uma coisa jamais faltará aqueles que estão em Cristo Jesus, graça!!!! E ela é suficiente! Ela basta!

O perdão dos nossos pecados, o amor de Jesus em nos reconciliar, a vida eterna dada imerecidamente em Cristo, a glória da ressurreição e a esperança gloriosa de vivermos para sempre com o Senhor nos basta! O conhecê-lo e o amá-lo, o servi-lo e o adorá-lo, nos basta! Nos basta conhecer e amar a Deus! Ele é tudo!!!

Aceitar a vontade soberana de Deus é um aspecto fundamental para viver a vida cristã! Problemas, tentações e dores são inevitáveis. Li de líderes da Teologia da Prosperidade que vão ao médico escondido para que seus liderados não saibam que estão doentes. Deus usa situações difíceis e até mesmo a enfermidade para produzir humildade, comunhão e louvor! Ele não promete removê-lo, mas garante a graça suficiente de suportar com alegria.

IV. PODER [v.9]

O sofrimento que revela nossas fraquezas serve também para revelar o poder de Deus [v.9]. Quando somos menos dependentes do nosso poder e força humana corremos e nos agarramos Aquele que é Todo Poderoso, para nos sustentar e assim somos canais adequados pelos quais Deus faz fluir seu poder.

Paulo afirmava que sentia prazer nas adversidades, pois ela era a ocasião maravilhosa para revelar o poder de Deus.

No caso de Paulo o poder de Deus era evidente que qualquer pessoa veria que não era possível um ser humano depois de tantas lutas e sofrimentos realizar o que ele realizara a não ser se o poder de Deus estivesse nele. A glória então não seria do homem, mas de Deus!

Por isso afirmava que louvava ao Senhor diante de suas fraquezas. Ele não era masoquista. Não adorava ser maltratado, mas alegrava-se em ver o poder de Deus atuando em sua vida.

V. CONTENTAMENTO [V.9]

Paulo olhou seu problema [seu espinho] de uma forma diferente. Inicialmente lutou contra ele e pediu sua retirada. Certamente penso que não compreendera inicialmente o propósito de Deus. Imagine um homem a serviço do Senhor, pregando o evangelho, levando a Palavra, curando a muitos, com uma limitação? Não fazia sentido!!!

Mas sua perspectiva do problema mudou. Ele entendeu este espinho como um instrumento para torná-lo útil para Deus. Assim contentou-se! Ele mesmo afirmara que aprendera a ficar contente em toda e qualquer situação.

A maioria das pessoas fica descontente e triste porque pensa que sua felicidade consiste em gozar de circunstâncias agradáveis, possuírem saúde e muito dinheiro. Alguns acham que proteger os crentes de toda a dificuldade é o trabalho maior que Deus poder fazer.

Não é o que anuncia a famigerada e porque não dizer “desgraçada” Teologia da Prosperidade? Que não é outra coisa senão um meio para justificar e alimentar a carnalidade dos corações humanos que buscam desesperadamente e enganosamente satisfação em ter e não em ser?

A graça nos ensina a benção do contentamento. Uma vez que nada merecemos e que em Cristo Deus nos tem abençoado com tudo então que outra reação senão o contentamento!
[Cl 1:10-12]

Conclusão:

Que devemos fazer diante das lições da graça? Quando aprendemos que a graça nos ensina humildade, dependência, suficiência, poder e contentamento que podemos fazer agora? Pense qual deve ser sua reação? O que deverá ocorrer no coração de um homem que compreendeu que Deus tem nos dado tudo em Cristo de forma imerecida e abundante? Eu quero ouvir uma sugestão – será que é a que veio ao meu coração quando terminei esta mensagem? LOUVOR E ADORAÇÃO!!!

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[1] O esboço da mensagem foi extraído do livro "Nossa Suficiência em Cristo" de John F. MacArthur, Jr. Ed. Fiel - SP - 1995. Capitulo 11: A Graça Suficiente [pp. 199-214]

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

SÓ CRISTO - SOLUS CHRISTUS


Introdução:

Quando se afirma SÓ CRISTO, a igreja reafirma que Jesus realizou a obra necessária à salvação total e plenamente, assim: (1) Nenhum homem possui qualquer mérito. A salvação é do Senhor, foi realizada exclusivamente por Ele (2) Reafirmamos que ela está completa. Não é necessário acrescimento nesta obra, ninguém, nem santos, nem obras realizadas pelo homem podem acrescentar algo a salvação. O que é perfeito não necessita de complemento. Qualquer tentativa de acréscimo ao trabalho de Cristo é uma deturpação do evangelho, não sendo o verdadeiro evangelho. Proclamar somente a Cristo é proclamá-lo como único:

1. Profeta - Não precisamos de outros profetas para revelar a Palavra e a vontade de Deus. Nele a revelação foi completa.
2. Sacerdote - Não precisamos mais de intercessores ou sacerdotes para mediar a salvação e a benção de Deus.
3. Rei – Não precisamos de outros reis para controlar o pensamento e a vida dos crentes.

JESUS É SINGULAR EM SUA PESSOA E OBRA

S.I. Quais são os aspectos em sua pessoa e obra que revelam a singularidade de Jesus?
S.T. Três aspectos de sua pessoa e obra mostram toda sua majestade e singularidade...

I. JESUS É O SUPREMO

1. Senhor da Criação [15-17]

Ele a fonte originadora de tudo que existe nos céus e na terra, tudo o que o olho humano pode ver e o que está além dos sentidos tudo se originou por meio de Cristo [Jo 1:3]: tronos, senhorios, anjos, homem e príncipes. Cristo é criador de tudo!

Ele não é só a fonte de tudo, mas o meio. Tudo que existe passou por suas mãos, revelando seu controle e sua soberania. Para Ele não há surpresa, não há acidentes acasos, já que nada que existe, nenhuma ocorrência está fora de sua divina vontade.

Ele não é só o principio o meio é o fim! É o alvo de tudo! Todas as coisas do universo têm um propósito ultimo: render ao Senhor todo o louvor possível. Desde os bilhões de sóis espalhados pelas bilhões e bilhões de galáxias, até os micróbios unicelulares tudo proclama que o Senhor é digno de receber toda a honra. [Rm 11:33]

Diante disto devemos considerar: (1) Não somos dono de nada. Ele é dono de tudo. E tudo o que você possui Ele o emprestou. Até você é propriedade do Senhor. (2) Você foi feito pela mão dEle, do jeito que você é e isto que atribui valor a você. Você foi criado, não é um produto de acidente ou de um processo evolutivo fruto da casualidade!

2. Senhor da Igreja [18]

Cristo não é só o “titular” em relação à criação [criador e sustentador]. Ele é o primeiro sobre a igreja. [chefe] Revela a importância de Cristo para a igreja. Ele é o que governa que dirige que orienta e que mantém. Não existe maior autoridade no corpo do que Cristo. Quando Ele ordena, quando Ele manda, deve ser ouvido.

Ao afirmar que Cristo é o cabeça ele fala da sua inseparabilidade do corpo. Você não pode ter comunhão genuína com Cristo sem estar ligado ao corpo. Sem fazer parte do corpo não poderá estar ligado com Cristo. Não há fé que sobreviva a parte da comunhão. E eu falo comunhão, implicando em envolvimento, serviço, amor!

S.T. Jesus é supremo em relação a criação e a nova criação, a igreja! Mas também sua singularidade é vista em...

II. JESUS É O SACRIFÍCIO [Cl 1:20-22, 2:13-14]

1. A reconciliação [1:20-22]

Esta descrição da pessoa mais fantástica, fascinante e profunda nos pasma, humilha, assombra a mente! Esse ser fantástico digno de nosso amor, adoração e obediência, tinha que concluir seu propósito de uma maneira apoteótica, o escritor aponta para a maior e mais fantástica de todas as suas obras: a reconciliação de tudo.

O pecado distorceu todo o cosmo. O pecado gerou um estado de inimizade entre o homem e seu criador. A entrada do mal na terra trouxe desagregação, destruição, desarmonia, na vida do homem com Deus, na vida do homem com o homem e na vida do homem com a natureza. O mundo entrou em conflito, convulsão, o universo ficou sob maldição e em desordem.

A sua obra maior toma destaque: A cruz! É simplesmente impressionante como um ser sendo o que é, podia abraçar a obra do sofrimento e morte pelos homens. Mais ainda o que alcançou por meio de sua obra é tremendo: Paz!

Shalom! Não é somente paz, no sentido usual e costumeiro, significando ausência de conflito ou de violência, ou mesmo paz de espírito. Significa florescimento universal, totalidade e prazer. É uma teia que ajunta Deus, os homens e toda a criação em justiça e alegria.

A idéia de reconciliação é dupla: Primeiro aos que reconheceram e creram serão reconciliados; segundo as forças opositoras serão subjugadas, levadas a submissão. Não serão salvas, mas sujeitas. Não haverá no universo força ou poder estranho que não será submetido ao poder de Cristo. Na cruz Cristo venceu todos os poderes malignos, serão destinados ao seu devido lugar, sentenciados e condenados. [Fp 2:11, Ef 1:10]

2. O perdão [2:13-14]

O pecado não gerou uma inimizade pessoal com Deus, gerou uma dívida, um débito! Temos contas a pagar porque pecamos [Rm 6;23]. Deus só poderia perdoar se houvesse pagamento!

Voltarie de uma forma jocosa afirmou: “Deus perdoará; este é o trabalho dEle]. Mas Deus não pode apenas perdoar. Deus é justo e santo, e sua justiça e santidade devem ser vindicadas, satisfeitas. Nós nada podemos fazer! Somos falidos e mortos! E nossas obras jamais poderiam compensar um só pecado. A ofensa foi feita a um ser infinito, o pagamento deve ser realizado por algum de infinito valor, e o pagamento é a sua própria vida, seu sacrifício, seu sangue precioso!

Diante deste quadro terrível de marginalização, Deus tomou a iniciativa e nos deu vida, perdoando nossos pecados e liquidando nossa dívida. Assim foi desfeita sobre nós todo o domínio maligno.

Havia uma nota promissória, uma dívida a ser paga, que nos condenava. Ela foi paga! Cancelado significa removida, queimada, apagada. Paulo usa a figura de um tribunal. O condenado está no banco dos réus. Está sendo lida a acusação. Mas, o juiz, que é Deus, inocenta o culpado, tendo satisfeito na morte de seu filho, todas as exigências da lei. Cristo tomou sobre si as acusações todas.

S.T. A lógica inescapável da supremacia de Cristo visto na criação e a na igreja e sua singularidade vista em seu sacrifício, leva-nos a uma terceira afirmação...

III. JESUS É SUFICIENTE

Os colossenses enfrentavam uma heresia que atentava contra a suficiência em Cristo. O homem, afirmava esta heresia para alcançar sua realização, para obter sentido, para reconciliar-se com Deus, para saciar seus anseios carecia de outras coisas e experiências, além de Cristo. No entanto vemos a suficiência de Cristo apresentada por Paulo.

1. Ele é o tesouro da sabedoria de conhecimento [Cl 2:3]

Cristo é a chave que explica tudo, que explica a vida. Ele é a resposta! Em Cristo se encontra o tesouro inesgotável da verdadeira sabedoria e do conhecimento. Oro para que você conheça quem é Cristo de uma forma profunda, e assim atente para a grande riqueza que Ele é. Não há necessidade de você caçar outra fonte de felicidade. Cristo é a resposta! Toda sabedoria e conhecimento de Deus estão em Cristo!

2. Ele é Deus! [Cl 2:9]

Jesus não é um deus menor, uma amostra reduzida de deus. Veja sua natureza divina. Em Cristo reside permanentemente toda plenitude da divindade em seu corpo. Não há espaço para intermediários, mediadores, co-mediadores ou qualquer força ou poder. Cristo preenche plenamente o vácuo entre o homem e Deus. Ele encarna ambas as naturezas. Como podem os homens recorrerem a outros falsos intermediários se Cristo é pleno? Cristo não é mais um, é o único e o suficiente mediador e Senhor do universo! Não há rival, não há nada que rivalize ou se compare a Ele. A divindade não está espalhada em mediadores e padroeiros. Cristo possui toda a divindade!

3. Ele é a vida! [Cl 3:4]

A verdadeira vida está em Cristo. A velha vida deve morrer, o velho homem e as paixões mundanas devem morrer. A morte com Cristo corta-nos dos interesses do mundo, e altera nossas ambições e pensamentos. E possibilita a nova vida!

E de fato nossa vida é oculta, invisível. [Sepultada] Aparentemente alguns diriam não haver qualquer diferença: sofrimento, morte, lutas, quedas. E até mesmo aquilo que valorizamos: oração, comunhão, palavra, louvor, propósitos, valores, desejos são ridicularizados ou desprezados pelo mundo.

No entanto esta invisibilidade é temporária. O mundo não vê, mas o mundo verá a beleza da vida Crista. Ela está oculta até um momento. E é só vista e vivenciada pela fé. Mas um dia o botão desabrochará um dia a pedra bruta será transformada numa jóia preciosa. E o mundo verá a glória do Filho de Deus e a glória da igreja.

Conclusão: "...para em todas as coisas ter Ele a PRIMAZIA!!!!" [Cl 1:18]

Diante disto resta-nos afirmar que uma vez que Cristo é o supremo, é o sacrifico e o suficiente, então Ele deve ser o primeiro em minha vida! Em sua vida, em sua família, em seu trabalho, na maneira como você vive, fala e age. Ele deve ter a primazia em seus planos, sonhos e propósitos. Ele deve ser o primeiro em tudo! Em tudo ele deve ser glorificado!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

SÓ A ESCRITURA – Sola Scriptura



Sl 19:7-10

Introdução:

Por que Só a Escritura?

1. Porque ela é completamente Inspirada por Deus
2. Porque ela é completamente Inerrante [Perfeita]

AS ESCRITURAS SÃO ABSOLUTAMENTE SUFICIENTES PARA A VIDA E OBRA DA IGREJA

S.I. Em que áreas da vida da igreja a Palavra de Deus é suficiente?
S.T. São três as áreas vitais em que as Escrituras são suficientes...

I. AS ESCRITURAS SÃO SUFICIENTES PARA EVANGELIZAÇÃO [Lc 16:27,28]

O rico considera a possibilidade de conforto ou esperança no inferno. Que lhe foi negado. Então “mandou” a Lázaro que fosse a casa dos 5 irmãos. Abraão rejeita sua idéia. Mas o rico insistiu, crendo que um fenômeno como esse convenceria seus cinco irmãos. Abraão, nega definitivamente e afirma que o necessário para a conversão daqueles cinco é o VT [Moisés e os Profetas].

Pessoas não são convertidas por milagres, nem mesmo por ressurreições. Sinais e maravilhas, uma religião de milagres não opera a salvação! A única coisa que regenera o coração humano é a pregação da Palavra de Deus. A única forma que o Espírito Santo opera para regenerar o homem é por meio da Palavra.

Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. [I Pe 1:23]

Ela á a única coisa indispensável e que de fato funciona. Todas as outras coisas: música cativante, testemunhos comoventes, apelos emocionais são acessórios, e se isto for o principal teremos como resultado falsas conversões.

O mesmo é dito em Rm 10:6-9. Moisés e os Profetas haviam sido dados as pessoas. Esta palavra estava perto deles [corações e bocas]. E era suficiente!

O que devemos fazer é pregar, anunciar, semear a Palavra, ela quanto mais pura e simples, menos sem adereços e acessórios, mas poderosa ela é.

S.T. Não só para salvar, no sentido de levar ao perdão, mas também...

II. AS ESCRITURAS SÃO SUFICIENTES PARA SANTIFICAÇÃO [Jo 17:17]

A santificação, que é o processo pelo qual progressivamente eu sou transformado ao caráter de Cristo. Tem como principal instrumento a Palavra de Deus e é suficiente para isto. A oração de Cristo por nós é que o Pai nos santifique, pela sua Palavra.

1. Ser santificado é ser separado do mal

Este é o conceito mais conhecido de santificação. Deus quer que seu povo seja santo. E para isto revelou sua vontade na Palavra. Assim por meio da vontade revelada de Deus e submissos a sua autoridade nos santificamos.

De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. [Sl 119:9]

Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.[Sl 119:11~

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, [II Tm 3:16]


2. Ser Santificado é ser separado para o ministério [serviço]

É neste sentido que Jesus se santificou, o foi separado por nós. Ele foi santificado [separado, consagrado] para vir ao mundo a fim de nos buscar e salvar. É neste sentido que também somos santificados, ou separados para a missão no mundo. Somos separados do mundo para servir com as nossas vida ao mundo

No v.18 Jesus traça um paralelo de sua missão com a nossa, há semelhanças e dessemelhanças. Nós não nos encarnamos e nem seremos crucificado em expiação. Mas sua missão é modelo para nós, no sentido de que servir implica em submissão e obediência, renunciar privilégios, conforto e distância e mesmo sofrimento.

E quem nos capacita para tamanha obra? Quem nos capacita para realizamos a missão de evangelização? É a palavra! Nela temos todos os recursos suficientes para realizamos nosso chamado.

“A fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” [II Tm 3:17]

Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. [II Tm 2:21]

S.T. Ela é suficiente para evangelização, para santificação, mas ela é suficiente também...

III. AS ESCRITURAS SÃO SUFICIENTES PARA ORIENTAÇÃO [Sl 119:105]

Como encontramos orientação para as nossas vidas? Como revelações especiais de profetas e profetisas de plantão? Existe uma corrida frenética pela busca de orientação mística que revela tão somente dois fatos:

1. Incredulidade da Palavra – Para alguns ela não é suficiente.

Devemos lembrar que a Palavra de Deus é a revelação final e completa [Jd 3,4, Hb 1:1-3]. A igreja cerca do III para o IV século reconheceu que Deus tinha falado tudo – que as Escrituras encerram em termos de doutrina, piedade e ética tudo o que é necessário para vivermos de forma agradável a vida cristã.

Nossa preocupação não é sair atrás de uma nova doutrina, mas conhecermos muito bem as nossas crenças. Conhecer para defender! O cânon esta fechado e toda outra reivindicação da verdade deve ser medida pelo padrão da fé que uma vez por todas foi dada aos santos.

2. Ignorância da Palavra – Não sabem usar! [II Tm 2:15]

Você tem a maior arma do mundo e não sabe usar, ela não tem valor. Alguns acham que ela é amuleto usando-a erradamente! Quando alguém afirmar: “Deus me revelou...” devemos aguardar o livro, o capítulo e o versículo! Se não for assim, não escute, isto não é revelação! Deus já revelou tudo na Palavra!

Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo. [II Pe 1:3-4]

Deus nos deu toda orientação que precisamos na Bíblia. Mas se há algo que queremos, ou pensamos que precisamos não esteja na Bíblia? Que trabalho escolher? Onde devo morar? Com quem devo casar? Então:

1. Ore pela providência divina
2. Use aquilo que Deus lhe deu: sabedoria, inteligência, discernimento e amigos [conselhos]. E tome a decisão! Em áreas em que Bíblia na fala diretamente você é livre para usar seu discernimento! Deixe de ser menino e use! E como eu tenho discernimento? Como obtenho sabedoria? Na PALAVRA!

Conclusão:

1. Se ela é suficiente, como vimos, para evangelizar, então devemos pregá-la com coragem!
2. Se ela é suficiente para santificar então devemos obedecê-la e se sujeitá-la!
3. Se ela é suficiente para orientar, então devemos conhecê-la profundamente, lendo-a e estudando-a sempre!

Pr. Luiz Correia
[Deus meus et omnia]